Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia vão realizar um Conselho Europeu extraordinário na próxima quinta-feira, em Bruxelas, na sequência das mais recentes tragédias no Mediterrâneo, anunciou o presidente do Conselho Europeu.

«A situação no Mediterrâneo é dramática. Não pode continuar assim. Não podemos aceitar que centenas de pessoas morram ao tentar atravessar o mar rumo à Europa. É por isso que decidi convocar um Conselho Europeu extraordinário para esta quinta-feira», afirmou Donald Tusk, numa mensagem vídeo divulgada na sua conta na rede social Twitter.
 
O presidente do Conselho Europeu já indicara no domingo a intenção de convocar esta cimeira extraordinária, após o naufrágio de uma embarcação durante o fim de semana que terá causado mais de 700 mortos.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, que disse, esta segunda-feira, esperar que sejam tomadas novas medidas neste Conselho Europeu extraordinário, vai estar presente na reunião.

Segundo Tusk, o objetivo da cimeira «é discutir, ao mais alto nível, o que é que os Estados-membros e as instituições europeias, em conjunto, podem e devem fazer para aliviar a situação agora».
 

«Não espero nenhuma solução rápida que resolva as causas da imigração, porque não há. Se existissem, já as teríamos usado há muito. Mas espero que a Comissão e o Serviço Europeu de Ação Externa apresentem opções para ações imediatas. E espero que os Estados-membros contribuam imediatamente».


Apontando que a discussão ao nível de chefes de Estado e de Governo terá como base as discussões já mantidas hoje numa reunião extraordinária conjunta de ministros dos Negócios Estrangeiros e do Interior da UE, no Luxemburgo, o presidente do Conselho Europeu adiantou que entre as questões que devem ser tratadas com caráter de urgência encontram-se o combate aos traficantes que colocam em risco a vida dos imigrantes, a cooperação nas ações de salvamento e resgate, e o auxílio aos Estados-membros da UE mais atingidos pelo fenómeno da imigração ilegal.
 

«A situação no Mediterrâneo não é uma preocupação apenas dos Estados-membros do sul, diz respeito a todos nós, e é por isso que temos que agir, juntos e agora».