Notícia atualizada às 19:51

A Ucrânia está a concentrar a preocupação dos chefes de diplomacia da União Europeia, esta sexta-feira reunidos na cidade italiana de Milão, com as delegações a reconhecerem que é necessário adotar «uma posição firme» contra a Rússia.

Os mais recentes desenvolvimentos na fronteira entre Ucrânia e Rússia com Kiev a acusar Moscovo de infiltração e armamento dos separatistas foram mal recebidos pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), que esta sexta-feira e sábado estão reunidos num encontro informal promovido pela alta representante para a política externa e de segurança da UE, Catherine Ashton.

O conflito, que desde abril opõe o governo de Kiev e os separatistas pró-Rússia no Leste da Ucrânia e que, segundo as Nações Unidas, já causou quase 2600 mortos, já estava na agenda do encontro de Milão, mas a denúncia de alegadas novas violações da fronteira por tropas russas põe-no no cimo da lista de temas, que inclui as situações na Faixa de Gaza, no Iraque e na Síria.

Quase todas as delegações passaram rapidamente pela imprensa concentrada à entrada do centro de congressos de Milão, mas algumas não quiseram deixar de comunicar a sua posição sobre o conflito na Ucrânia.

O chefe da diplomacia holandesa, Frans Timmermans, sublinhou que a situação na Ucrânia representa «um desafio para a UE e a NATO», que precisam de refletir sobre o «modus operandi da relação com a Rússia».

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Didier Reynders, foi mais perentório, defendendo que, se Moscovo não se comprometer a mudar de atitude, «a UE tem de adotar uma posição firme», que pode incluir «fortes sanções», para responder à «escalada».

Didier Reynders reconheceu que «as anteriores medidas» adotadas pela UE «não foram bem sucedidas» e, ainda que defenda «uma solução política» para o conflito, confessou que não vê «uma vontade de apaziguamento» do lado russo.

A imprensa italiana desta sexta-feira cita o primeiro-ministro Matteo Renzi, presidente em exercício da UE, a considerar que a Rússia está a enveredar por «uma escalada intolerável cujas consequências poderão ser gravíssimas».

À chegada a Milão, o chefe da diplomacia polaca, Radosław Sikorski, usou da ironia para criticar o presidente russo, enquanto oferecia maçãs aos jornalistas, pedindo-lhes que as comessem para assim mostrarem a Vladimir Putin que os produtos polacos não têm veneno. Em seguida, mudou para um tom mais sério para recordar que «há pessoas a morrer na Ucrânia», enquanto «as forças russas entram numa nova frente».

Rui Machete: nenhum estado-membro da UE se opõe ao reforço de sanções contra a Rússia

Nenhum Estado-membro da União Europeia (UE) se opõe ao reforço das sanções contra a Rússia, mas existem «vários graus de apreciação da eficácia» desta medida, disse o chefe da diplomacia portuguesa.

No final do primeiro dia de trabalhos, Rui Machete confirmou à Lusa que a escalada do conflito no leste da Ucrânia, entre o governo de Kiev e os separatistas pró-Rússia apoiados pelo regime de Moscovo, foi um dos principais temas em debate.

«Não houve manifestações contra as sanções», afirmou o ministro.

Reconhecendo que «unanimidade é difícil», o governante sublinhou que «isso não significa» que haja quem discorde de aplicar penalizações contra a Rússia, ainda que alguns defendam «sanções mais gravosas» e outros considerem que «não são tão importantes assim».

Machete considerou «de algum modo positivo» que os dois presidentes, russo e ucraniano, Vladimir Putin e Petro Poroshenko, se tenham reunido esta semana, mas recordou que, enquanto «o presidente Putin afirmava o seu propósito de conversar, simultaneamente havia tropas russas a invadir» a Crimeia, o que aponta para para «uma certa duplicidade da estratégia» da Rússi