O setor ferroviário está a testar medidas de segurança adicionais nos comboios, face às ameaças terroristas globais, mas não há soluções globais, disse este sábado o diretor-geral da União Internacional dos Caminhos de Ferro (UIC).

Jean-Pierre Loubinoux, que falava em Paris numa conferência de imprensa, antes da assinatura do compromisso de responsabilidade climática que envolve 70 empresas do setor, admitiu que os atos terroristas constituem uma preocupação para a UIC, mas manifestou dúvidas quanto às soluções mais eficazes.

“Por exemplo, os russos, depois de rebentar uma bomba na gare de Moscovo puseram pórticos para reforçar o controlo, mas sabemos que o caminho-de-ferro tem centenas de milhares de quilómetros. É um modo de transporte aberto, não podemos controlar uma ponte, passagens de nível, estações, é impossível”, assinalou.


Adiantou ainda que o controlo de acessos nos transportes urbanos é feito de maneira muito diferente nas várias cidades. Em Paris, por exemplo, o acesso é controlado, mas em Berlim, não há qualquer controlo.

“Qual é mais seguro, não sei”, frisou, salientando igualmente que é preciso distinguir entre a perceção de segurança e a segurança: “podemos melhorar a perceção de segurança para que as pessoas tenham menos medo, mas não tenho a certeza de que se melhore completamente a segurança”.

O presidente da CP, uma das entidades que assina hoje este protocolo, deu como exemplo destas preocupações a vigilância visível e não visível das ações policiais que tiveram lugar no comboio Sud Express que partiu de Lisboa no dia 27 de novembro em direção a Paris, integrado na iniciativa Train to Paris.

Manuel Queiró salientou, por outro lado, que a CP tem registado uma melhoria dos seus indicadores de segurança nos últimos tempos, congratulando-se com os resultados.