A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris terá como consequência a subida da temperatura mundial de 3,2.ºC até 2100, contra 2,8.º se o país respeitasse os compromissos iniciais de redução de emissões.

"Essencialmente por causa do anúncio da retirada dos Estados Unidos do Acordo" de Paris pelo Presidente Donald Trump, em junho, constata-se "uma deterioração importante dos progressos" esperados contra o aquecimento global, avisa a Climate Action Tracker (CAT), num relatório divulgado à margem da conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP23), a decorrer até sexta-feira, em Bona.

Impulsionados pela administração de Barack Obama, os Estados Unidos, o segundo maior emissor de gases com efeito de estufa, depois da China, comprometeu-se a reduzir as suas emissões em entre 26 e 28% até 2025 em relação aos níveis de 2005, para contribuir para a contenção do aquecimento global.

No Acordo de Paris, conseguido em dezembro de 2015 e em vigor desde novembro de 2016, a comunidade internacional fixou o objetivo de limitar a subida da temperatura aos 2.ºC relativamente à época pré-industrial.

Se todos os governos [exceto os EUA] seguissem os compromissos [de redução de emissões de gases com efeito de estufa] que fixaram no quadro do Acordo de Paris, a subida prevista da temperatura mundial em 2100 seria de 3,2.ºC em relação aos níveis do período pré-industrial", segundo a CAT. Em 2016, a previsão era de 2,8.ºC.

[Esta deterioração] é largamente devido ao facto de os EUA voltarem as costas ao seu objetivo para o horizonte de 2030 e a longo prazo (2050)"

Esta organização é um consórcio de três centros de investigação dedicados às alterações climáticas, que mantém uma base de dados científicos sobre o aquecimento global e sobre as medidas de redução de emissões tomadas pelos países .

Progressos em dois países

A China e a Índia, respetivamente primeiro e quarto emissores mundiais de gases com efeito de estufa, ao contrário, "fizeram progressos significativos" no último ano.

Segundo as projeções da CAT, políticas climáticas desenvolvidas nestes países "conduzem a uma descida de 0,2ºC do aquecimento".

"Vemos claramente quem são os líderes: face à inação norte-americana, a China e a Índia passam a uma velocidade superior", salienta Bill Hare, do instituto de investigação Climate Analytics, que integra a CAT, acrescentando que "os dois devem rever e reforçar os compromissos que assumiram em Paris".

Segundo a CAT, que estudou 32 países representando 80% das emissões mundiais, estas "devem aumentar de 9% para 13% entre 2020 e 2030 devido ao aumento das emissões previsto em países como a Turquia, Indonésia e Arábia Saudita".

Em 17 dos 32 países analisados, "as emissões devem aumentar mais de 20% durante este período", acrescenta.