Uma criança de três desapareceu, numa remota cidade chinesa, em 1994. Desde então que Li Shunji e Du Li, os pais do pequeno Li Lei, não cessaram de o procurar. O desespero que deu lugar à felicidade daquela família chegou ao fim 24 anos depois. Esta quinta-feira, depois de tudo ter estado perdido durante mais de duas décadas, pais e filho voltaram a ver-se num encontro emocionado que levou todos às lágrimas.  

A história começou no dia oito de agosto de 1994, naquele que seria um dia normal na vida dos pais de Li Lei, ou Lei Lei como o chamavam, mas que acabou por ser o dia em que "perderam" o filho. O pai, Li Shunji, saiu de casa e não deu conta que estava a ser seguido pelo filho, que no caminho acabou por se perder nas ruas movimentadas da cidade de Xi'an. 

Eu só percebi que ele estava realmente desaparecido depois da minha mulher vir à minha procura à loja. As minhas pernas começaram logo a tremer", disse o pai ao Chinese Business Gazette. 

No meio de toda a confusão das ruas, o rapaz, que tentava procurar o pai, foi encontrado por um casal que estava ali e que não ficou indiferente à criança que andava sozinha. Mais tarde, o casal em conjunto com as autoridades chinesas tentaram localizar os progenitores, mas acabaram por concluir que era  uma missão sem sucesso, suspeitando mesmo que esta era uma criança órfã. O casal não deixou Li Lei abandonado na rua e acabou por levá-lo para casa e cuidar dele como se filho deles fosse. 

Durante estes 24 anos os pais biológicos do menino perdido nunca perderam a esperança: o pai de Lei Lei chegou mesmo a vender o negócio que tinha e partir pelo país à procura do filho, que por onde parava deixava um folheto de "criança desaparecida". A viagem levou-lhe três meses de vida e 26 kg a Li Shunji depois de terem distribuído cerca de 180 mil papéis por toda a China.  

Eu continuava a dizer-me a mim mesmo que não podia desistir. Vou conseguir ver o meu filho", disse Li. 

Para os pais parar de procura o filho estava fora de questão e quando todas as opções estavam a esgotar surgiu a ideia de deixar uma amostra de sangue na base de dados de ADN da China. E se esta história tem um final feliz, apenas acontece porque Li Lei também deixou uma amostra de sangue no banco de ADN. E assim foi, quando Li Lei estava a perder as esperanças, a polícia e o banco de dados Baobei Huijia cruzaram os ADN's e juntam uma família que esteve separada durante 24 anos.

Encontrámos-te finalmente. Estamos à tua procura há 24 anos", disse o pai a chorar e a cair de joelhos no reencontro com o filho, citado pelo Daily Mail.