Peritos chineses estão a defender a abolição da política de «um casal, um filho», alertando que o índice de natalidade do país se encaminha para «um nível perigosamente baixo», revelou esta terça-feira a imprensa oficial.

Em novembro de 2013, a direção do Partido Comunista Chinês decidiu aliviar o controlo da natalidade imposto há três décadas, mas o número de casais que se inscreveram para ter um segundo filho (cerca de 700.000) ficou muito aquém dos dois milhões previstos pelas autoridades.

«O esperado 'baby boom' não aconteceu e a vontade das pessoas de ter mais filhos irá diminuir com o desenvolvimento económico», disse Cai Fang, vice-diretor da Academia Chinesa de Ciências Sociais (ACCS).

«Quando mais cedo promovermos a política de um segundo filho, mas cedo veremos os efeitos positivos que isso trará», acrescentou.

Cai Fang admite que uma nova política de natalidade «terá alguns resultados negativos», mas considera que «serão muito limitados, em comparação com os benefícios que vão introduzir».

Os casais em que um dos pais é filho único podem agora ter um segundo filho, como já acontecia com os casais em que ambos os cônjuges eram filhos únicos, mas para os outros casos, a política de «um casal, um filho» mantém-se em vigor.

Pelas contas do governo, sem aquela política, em vez de cerca de 1.350 milhões de habitantes, a China teria hoje quase 1.800 milhões.

Mas a população ativa começou a diminuir e a taxa de fertilidade, que na década de 1970 era 4,77 filhos por mulher, desceu para 1,4, atingindo quase o nível de alerta de 1,3, considerado globalmente como «a armadilha da baixa fertilidade», indica um relatório da ACCS citado pelo China Daily.

«O baixo índice de natalidade provocará outros problemas, como a escassez de mão-de-obra e o fardo económico de uma sociedade envelhecida», disse Lu Yang, um investigador da academia especializado em demografia e economia laboral.

Em 2050, um terço da população chinesa terá 60 ou mais anos e haverá menos trabalhadores para sustentar cada reformado, assinala o China Daily.