A falta de liberdade de expressão na China foi elevada a um novo nível, depois de ter sido criado um jogo social online, para averiguar o quão bom um cidadão realmente é. Ou seja, se é ou não obediente ao regime. Para tal, o Sesame Credit analisa a atividade dos utilizadores nas redes sociais e o seu historial de compras.

O governo chinês juntou-se a duas das maiores empresas de redes sociais chinesas, a Tencent e a Alibaba.com, para criar a app do jogo, que se está a tornar cada vez mais popular na China.

Um vídeo publicado no YouTube pela conta Extra Credits explica em que consiste o jogo e com que intuito foi criado. Segundo o vídeo, o conteúdo das publicações dos utilizadores, assim como a sua atividade na Internet, é avaliado. E coisas que à partida podem parecer inofensivas podem fazer com que o resultado final desça a pique.
 

Se publicar fotografias da Praça de Tiananmen ou partilhar um link sobre o colapso recente da bolsa chinesa, os créditos baixam. Se partilhar um link da agência noticiosa apoiada pelo Estado sobre o estado favorável da economia, o resultado sobe”.

Se fizer compras que o Estado considera valiosas, como sapatos para usar no trabalho ou produtos agrícolas, a pontuação sobe. Mas, se no entanto importar anime do Japão, então o resultado vai descer”.





Resultados altos, de acordo com o vídeo, podem garantir aos utilizadores benefícios, como tornar mais fácil a obtenção de documentos para poder viajar ou receber um empréstimo.

Os utilizadores têm ainda de ter cuidado, porque a aplicação avalia também a qualidade dos seus amigos. Por isso, tendo amigos com pontuações baixas vai automaticamente pesar na pontuação final. Para além disto, é possível aceder aos resultados de qualquer pessoa "para ver quem está a diminuir a sua pontuação".

Por agora, o jogo pode não ter muitas consequências para os cidadãos chineses, porque ninguém é obrigado a descarregar a aplicação e a ser submetido ao teste. Mas, segundo o The Independent, esta situação pode mudar brevemente. O jogo pode mesmo vir a ser obrigatório em 2020.

O vídeo avança ainda que podem vir a ser implementadas punições a todos os chineses que tenham resultados baixos, como “desacelerar o seu acesso à Internet ou restringir os cargos que essas pessoas possam vir a ter".