Estas imagens foram captadas nas prateleiras de um supermercado de Sidney, na Austrália, esta quarta-feira. O leite em pó para bebés da marca Bellamy é nacional e orgânico. Características que fizeram com que a fórmula da Bellamy tivesse ganhos astronómicos e o volume de vendas subisse num ano para dez vezes mais, segundo a Reuters.

Mas, esta avalanche de vendas está a criar um problema à marca, no próprio mercado australiano. É que, aparentemente, este leite sucedâneo do leite materno, dedicado a crianças desde o nascimento até completarem um ano de vida, e o preferido das mães australianas, não está desaparecer das prateleiras por ação dos residentes no país.

O Sydney Morning Herald dá conta das excursões de turistas chineses que “limpam” as prateleiras daquele que já é chamado o “ouro branco”. E não só, esta marca, tal como a Danone, queixam-se das vendas dos seus produtos no mercado chinês, mas que não entraram naquele país pelo canal normal da exportação/importação.

Face ao descontentamento demonstrado por grupos de mães no Facebook, a empresa Bellamy optou por sugerir a compra do produto online e de forma racionada, só o disponibilizando para endereços na Austrália e na Nova Zelândia. Ainda assim, tal pode não ser uma solução porque a jovem empresa, porque pode comprometer a sua relação com as grandes superfícies.

Mais, sem leite não há vendas, e o que se passa é que a Bellamy está sem stock, não conseguindo produzir à mesma velocidade que a procura.
 

Por que é que os chineses querem tanto o leite em pó?


Em 2008, seis crianças chinesas morreram e mais de 300 mil ficaram doentes em virtude da ingestão de leite em pó contaminado.
Da composição desse leite fazia parte uma proteína em pó, composta sobretudo por melanima e malte dextrina, que era colocada no leite em pó para este parecer que era mais rico em termos nutritivos, segundo o Ministério Público chinês, que levou seis pessoas ao banco dos réus.

O leite chinês foi retirado das prateleiras de revendedores um pouco por todo o mundo para onde a China exportava e começou a dar-se o processo inverso: os chineses passaram a comprar leite no estrangeiro, em países que considerassem seguros.

Foi o que aconteceu em Lisboa, em 2013, quando uma esquadra de navios de guerra chineses atracaram em Lisboa para uma visita de cortesia e zarparam carregados de leite em pó para bebé, deixando as farmácias e as parafarmácias da capital de prateleiras vazias.