Na sexta-feira à noite, centenas de supremacistas brancos reuniram-se na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, para uma marcha, com tochas, fazendo lembrar os encontros do Ku Klux Klan. Contudo, a marcha acabou por ser gozada nas redes sociais, porque as tochas escolhidas, conhecidas como “tochas tiki”, têm raízes “não-brancas”, nas culturas da Polinésia e do Havai.

As marchas e vigílias à luz das velas são comuns e, normalmente, estão associadas a ações de solidariedade, mas, em termos históricos, nos Estados Unidos, as tochas iluminaram reuniões do movimento de extrema-direita Ku Klux Klan, que defendia a supremacia branca.

O que os supremacistas brancos talvez não soubessem é que as “tochas tiki” têm raízes nas culturas da Polinésia e do Havai e começaram a ser usadas, nos Estados Unidos, no início dos anos 90, em restaurantes havaianos.

Os manifestantes de extrema-direita acabaram por ser gozados, nas redes sociais, por usarem “um produto cultural polinésio para defender a supremacia branca”.

De acordo com a CNN, o senador republicano Orrin Hatch, do Utah, também escreveu sobre assunto, numa publicação no Twitter, afirmando que “não está claro por que os supremacistas brancos usaram tochas tiki, dada a sua oposição aos caucasianos não europeus”.

(As tochas tiki) podem ser alimentadas por citronela, mas as suas ideias são alimentadas por ódio e não têm lugar na sociedade civil”, acrescentou o senador.

 

A marca Tiki, que fabrica as tochas que os manifestantes carregavam na marcha de sexta-feira à noite, em Charlottesville, mostrou descontentamento, através das redes sociais, por ver os seus produtos usados como ferramentas para nacionalistas brancos e outros grupos extremistas.

A marca Tiki não está associada, de forma alguma, aos eventos ocorridos em Charlottesville e está profundamente triste e desapontada. Não suportamos a mensagem deste grupo ou o uso dos nossos produtos desta forma”, afirmou a empresa numa publicação no Facebook.

A marcha aconteceu um dia antes da manifestação da extrema-direita, denominada “Unir a Direita”, na cidade de Charlottlesville, que ficou marcada por confrontos violentos e pelo atropelamento de várias pessoas, fazendo um morto e 19 feridos.

 

They chant: Jews will not replace us. Death to Antifa. White lives matter. #defendcville

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