Os três suspeitos do ataque já foram identificados pela políciauma operação na localidade de Reims

O relato AO MINUTO sobre o atentado ao jornal francês

Charb, o diretor do jornal satírico, é um dos mortos. Cabu (considerado um dos maiores cartoonistas franceses), Wolinski e Tignous também morreram, assim como o acionista do jornal, o economista de esquerda Bernard Maris. Ao final da noite foi confirmado que um dos mortos por identificar é o cartoonista Phillipe Honoré, de 73 anos.

O ataque foi realizado por três homens durante uma reunião de trabalho do «Charlie Hebdo» e o momento foi captado por várias testemunhas:

 

Os suspeitos entraram no jornal, todos vestidos de negro, de cara tapada e fortemente armados, e sabiam quem queriam matar, tendo chamado por nomes específicos. Estavam munidos com duas metralhadoras Kalashnikov e também um lança-granadas.

Terão ameaçado uma das jornalistas do «Charlie Hebdo», que entrava no edifício e que lhes terá aberto a porta. De acordo com a jornalista em causa, reclamaram pertencer à Al-Qaeda.

Um vídeo-amador captou mesmo o momento em que, depois do ataque à redação, os suspeitos matam ainda um polícia na rua. 

O «Le Parisien» acrescenta que os dois homens conseguiram fugir em direção ao norte da capital francesa, num carro furtado. Segundo os polícias, os homens gritaram: «Vingámos o profeta» e «matámos o Charlie Hebdo».

A viatura foi, entretanto, abandonada no 19º Bairro e decorre uma gigantesca caça ao homem.

A violência dos disparos ficou marcada nas vitrinas de uma loja vizinha do jornal. Os tiros aparentam ser de uma arma Kalachnikov. 

 

 

«Um ataque terrorista»

François Hollande, o presidente francês chegou pelas 11:50 à sede do jornal. Classificou este atentado como «bárbaro» e, sem dúvida, «um ataque terrorista». 

«Os responsáveis por este ataque serão punidos. A França está em estado de choque. É um ataque terrorista, sem dúvida», disse Hollande.

a liberdade será sempre salvaguardada

«A nossa melhor arma é a unidade. Nada nos pode dividir, nada nos pode separar. A liberdade será sempre mais forte do que a barbárie», avisou.

O presidente também mandou reunir um gabinete de crise e a França está em alerta máximo com receio de ataques terroristas. A segurança está a ser reforçada em todas as redações, de acordo com o «Le Fígaro». Segurança reforçada ainda em grandes armazéns comerciais, locais de culto e também transportes. 

O último tweet do jornal antes do ataque

Alguns minutos antes do ataque, o último tweet do jornal mostrava uma imagem satírica com o  líder do Estado Islâmico, Al-Baghdadi.

 

 

Jornal já tinha sido atacado antes

Esta não é a primeira vez que a redação do «Charlie Hebdo» é atacada em retaliação por críticas ao mundo islâmico.

Em novembro de 2011 a redação do jornal foi atacada com uma bomba incendiária que destruiu a sede, uma retaliação a outras caricaturas referentes ao mundo islâmico.

Em 2012, numa altura em que, um pouco por todo o mundo, os muçulmanos se manifestavam contra o filme norte-americano «Innocence of Muslims», onde se mostra o profeta Maomé em diversas cenas de sexo, com mulheres e com homens, a revista francesa publicou novas caricaturas do profeta islâmico.

Fazendo referência ao filme «Intochables», que conta a história de um homem tetraplégico que encontra no seu novo assistente um amigo para a vida, na caricatura publicada na capa da revista vemos Maomé numa cadeira de rodas a ser empurrado por um judeu ortodoxo, lendo-se «Intochables 2» como título.

Outros desenhos foram igualmente colocados no interior da revista, onde se vê, por exemplo, o profeta do islão nu.

Já em 2006, «Charlie Hebdo» tinha sido um dos media europeus a publicar as caricaturas do jornal dinamarquês «Jullands-Posten», que cerca de um ano antes pediu a 40 cartoonistas que desenhassem caricaturas do profeta islâmico.

Os desenhos enfureceram a comunidade islâmica, uma vez que a representação do profeta é proibida.

No mês passado, França sofreu quatro ataques seguidos relacionados com muçulmanos radicalizados, mas tratavam-se de pessoas isoladas. 

Manifestações por todo o mundo

Um pouco por toda a França foram realizadas manifestações em solidariedade com o jornal satírico «Charlie Hebdo», e a reivindicar a liberdade de imprensa e os valores da democracia e República. As manifestações juntaram mais de 100 mil pessoas e também acabaram por alastrar-se a outras cidades europeias.

Em Espanha, onde houve um susto na redação da Prisa, o nível de alerta antiterrorista foi aumentado

A lista das vítimas

 

  • Charb, alcunha de Stéphane Charbonnier, 47 anos, cartoonista e diretor do jornal «Charlie Hebdo»;
  • Cabu, Jean Cabut, 76 anos, cartoonista, considerado um dos melhores profissionais da área, em França, e um dos pilares do jornal. Também trabalhava para o jornal «Le Canard Enchaîné»;
  • Georges Wolinksi, 80 anos, cartoonista, nos anos 60 integrou a revista satírica Hara-Kiri e mais tarde tornou-se numa das figuras principais do «Charlie Hebdo»;
  • Tignous, ou Bernard Verlhac, 57 anos, cartoonista, trabalhava para o Charlie Hebdo e para a «Fluide Glacial»
  • Bernard Maris, ou «Oncle Bernard» (Tio Bernard), 68 anos, economista, cronista no «Charlie Hebdo» e acionista do jornal
  • Philippe Honoré, 73 anos, cartoonista no jornal
  •  Michel Renaud, fundador do diário de viagem Clermon-Ferrand, foi chefe do gabinete do governador da capital de Auvergne
  • Franck Brinsolaro, 49 anos, polícia que fazia proteção ao diretor do jornal, Charb
  • Ahmed Merabet, 42 anos, polícia, membro da brigada VTT, uma brigada de polícias em bicicleta do distrito 11
  • Mustapha Ourrad, corretor
  • Fréderic Boisseau, agente de serviços
  • Elsa Cayat, psicanalista e colunista

A identidade dos onze feridos ainda não foi confirmada pelas autoridades.