O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse este sábado que uma sociedade livre tem o direito de ironizar com a religião, discordando da opinião do papa Francisco, que considerou existirem limites para a liberdade de expressão.

«Acho que numa sociedade livre existe o direito de ser ofensivo com a religião dos outros», disse David Cameron, numa entrevista ao canal de televisão norte-americano CBS.

“Eu sou cristão. Se alguém diz algo ofensivo sobre Jesus, poderia considerá-lo ofensivo, mas numa sociedade livre não tenho o direito de libertar a minha vingança sobre» essa pessoa, adiantou.

David Cameron, que na sexta-feira esteve reunido com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington, afirmou, ainda, que o seu trabalho é “fazer cumprir a lei” e não dizer a um jornal se pode ou não fazer uma publicação.

Na quinta-feira, o papa Francisco defendeu que a liberdade de expressão é um direito fundamental, que não permite «insultos à fé dos outros», acrescentando que «matar em nome de Deus» é «uma aberração».

«Não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros, não podemos ridicularizá-la», disse aos jornalistas a bordo do avião, que levou o papa de Colombo para Manila, quando questionado sobre as caricaturas do semanário satírico francês Charlie Hebdo, alvo de um atentado que causou 12 mortos, em Paris.

A liberdade de expressão deve «exercer-se sem ofender», disse, sublinhando que expressar-se era um «direito fundamental».

«Todos têm não apenas a liberdade, o direito, como também a obrigação de dizer o que pensam para ajudar o bem comum. É legítimo usar esta liberdade, mas sem ofender», insistiu o papa, pedindo verdade, principalmente na atividade política.