Os pais de Charlie Gard lutaram em tribunal pelo direito de manterem vivo o filho de oito meses, que sofre de uma doença rara, para o poderem levar para os EUA onde seria submetido a um tratamento experimental, mas perderam. 

Esta terça-feira, o Alto Tribunal de Justiça, uma das mais altas instâncias do Reino Unido, decretou que o hospital pode "legalmente retirar todos os tratamentos, exceto os paliativos para permitir que Charlie morra com dignidade".

É com pesar no coração, mas com total convicção de que estamos a fazer o melhor pelo Charlie", afirmou o juiz, acrescentando que "os pais de Charlie reconheceram infelizmente e com coragem que não vale a pena manter a qualidade de vida que o Charlie tem neste momento".

Depois de ser conhecida a sentença que deixou os pais "devastados", a advogada de Connie Yates e Chris Gard acusou o juiz Nicholas Francis de "não ter dado ao Charlie pelo menos a hipótese de fazer um tratamento" e afirmou que não há provas de que o menino esteja a sofrer.

A criança está, neste momento, ligada a uma máquina que a ajuda a respirar, outra que a ajuda a alimentar-se e não consegue mexer-se.Os especialistas acrescentam que, por causa da sua doença, Charlie nunca se vai conseguir mover sozinho e que, provavelmente, está a sofrer sem poder avisar ninguém.

Segundo os médicos, o bebé nasceu saudável a 4 de agosto, mas dois meses depois teve de ser internado por causa de uma pneumonia. Foi então diagnosticado com Síndrome de Depleção Mitocondrial, uma doença rara que lhe provocou danos cerebrais irreversíveis.

Os pais defendiam que o filho merecia um tratamento experimental e queriam levá-o para os EUA para que isso acontecesse, tendo até dado início a uma angariação de fundos.

Uma especialista do hospital, em declarações ao The Guardian, afirma que, "muito infelizmente", este tratamento experimental não iria ajudar a criança que está "extremamente mal".  O hospital aconselhava mesmo os pais a desligarem as máquinas e transferirem o menino para uma unidade de cuidados paliativos.

Esta não é a primeira vez que um juiz inglês autoriza os médicos a desligarem o suporte de vida a um bebé contra a vontade dos pais. Em 2015, o Supremo Tribunal britânico decidiu desligar as máquinas que mantêm vivo um bebé de um ano, depois deste ter nascido prematuramente e nunca saiu do hospital para casa dos pais e esteve sempre ligado a máquinas de respiração assistida.