«Prefiro morrer a pôr-me de joelhos». Stéphane Charbonnier, o diretor do jornal francês «Charlie Hebdo», nunca sucumbiu ao medo que poderia decorrer das ameaças dos fundamentalistas, contra os cartoons satíricos do seu jornal. Ele próprio, Charb, como era conhecido, estava na lista negra de ‘procurados’ da Al Qaeda, divulgada em 2013, segundo a imprensa internacional.
 
Charb foi um dos 10 jornalistas mortos esta quarta-feira no ataque terrorista de que a publicação foi alvo, em Paris, e que vitimou também dois polícias, deixando ainda vária pessoas feridas. O seu nome consta na «Wanted Dead or Alive for Crimes Against Islam», isto é, a lista dos procurados mortos ou vivos por crimes contra o Islão, feita há mais de um ano.


 
O diretor e cartoonista chegou a viver sob proteção policial, segundo faz notar também o britânico «The Telegraph». Mas isso nunca o demoveu de publicar as caricaturas que considerava oportunas, mesmo que continuassem a causar indignação no mundo muçulmano. Em 2012, explicou porquê, defendendo que o único limite da sua publicação era a lei francesa, que respeitava, e reforçando que tinha o direito de gozar de liberdade de expressão.

Entendeu, sempre, que mais do que provocação, as suas caricaturas eram, sim, um sinal de que a liberdade de expressão estava viva e bem viva em França.
 
O seu advogado, Richard Malka, contou entretanto que a redação estava «sob proteção policial desde o caso das caricaturas de Maomé [quando fez uma edição especial no início de 2013] até hoje», cita também o «The Telegraph».
 

«As ameaças eram constantes. É assustador»

 
Apesar disso, segundo um dos colegas, citado pelo mesmo jornal britânico, o diretor do «Charlie Hebdo» estava já mais relaxado em relação às ameaças. Não mostrava estar sempre preocupado. Lutou pela liberdade de expressão até ao fim.