O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, garante que Madrid impedirá que uma eventual declaração de independência da Catalunha produza quaisquer efeitos. Mariano Rajoy asseverou-o numa entrevista El País, publicada este domingo. 

O Governo vai impedir que qualquer declaração de independência leve ao que quer que seja”

Está agendada para terça-feira uma sessão parlamentar com a presença do presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, para ser declarado esse grito de Ipiranga catalão. Madrid poderá utilizar os poderes constitucionais para suspender a autonomia e impedir que a região se separe da Espanha, explicou Rajoy.

Sobre se está pronto para ativar o artigo 155 da constituição espanhola, que prevê a demissão do governo regional e a convocação de eleições, o primeiro-ministro  disse que "não descarta absolutamente nada daquilo que a lei prevê". "Idealmente, não deverá ser necessário implementar soluções extremas, mas para que isso não aconteça, as coisas terão de mudar".

Ao mesmo tempo, não quer que se abra uma porta a eleições nacional, como resultado desta crise política. Uma crise que, para Rajoy, não precisa de mediação de fora, da União Europeia.
 

A atuação da polícia

O Governo espanhol pretende manter na Catalunha os 4.000 polícias destacados para a região desde o referendo do passado dia 1 de outubro. Ficarão no terreno até esta crise terminar. 

Rajoy foi questionado sobre os Mossos d'Esquadra que não cumpriram as ordens para impedir o referendo. Sobre isso, respondeu que as autoridades políticas da Generalitat da Catalunha criaram um dano muito importante ao prestígio dos Mossos de Esquadra.

Todas as autoridades que exercem a segurança, Mossos d'Esquadra, Polícia Nacional e Guardia Civil, estavam na Catalunha à ordem dos juízes. Não estavam às ordens do Governo".

Sobre a carga policial exercida pelos agentes enviados por Madrid e sobre os quase 900 feridos, nem uma pergunta direta e, por isso, nem uma resposta. A única abordagem, a esse nível, foi politico-parlamentar.

Isto porque o PSOE anunciou a sua intenção de pedir a reprovação do Governo no Parlamento por causa dessas cargas policiais. A pergunta na entrevista do El País foi se Rajoy crê que continua a existir essa unidade entre Pedro Sánchez e Albert Rivera, do Ciudadanos. Rajoy disse que, "no essencial", os três estão em sintonia sobre o que é importante para Espanha.

Tenho de dizer que há um diálogo bastante fluido com o PSOE e também com o Ciudadanos. É minha obrigação tentar que essa unidade não se quebre e se recomponha"

O chefe do executivo espanhol emitiu igualmente um apelo ao “nacionalismo catalão moderado” para se afastar dos radicais. Numa Espanha dividida, as manifestações pró e contra a independência têm-se repetido na última semana.

Para este domingo, pelas 12:00, está prevista uma grande manifestação, com cerca de 400.000 pessoas, em Barcelona, mas contra a independência.

À pergunta sobre se tem receio que Espanha se divida, a resposta de Rajou foi que não, "em absoluto". Assegura que a unidade nacional vai manter-se e que a lei ajudará nisso mesmo.