Organizações da sociedade civil empenhadas na promoção sobre o referendo sobre a independência previsto para novembro na Catalunha vão erguer pirâmides humanas em várias cidades europeias, incluindo Lisboa, disse à Lusa a presidente da Associação Omnium.

«Estamos a lançar esta operação de simpatia para avisar os outros europeus que queremos decidir o nosso futuro, para olharem para nós», disse à Lusa Muriel Casals, da Omnium, uma associação cívica e cultural da Catalunha fundada em 1961, durante o regime do ditador espanhol Francisco Franco.

A organização vai erguer «torres humanas catalãs» no dia 8 de junho ao meio-dia em Lisboa, Londres, Berlim, Bruxelas, Genebra, Paris e Barcelona com cartazes «Catalans Want to Vote» (Os Catalães Querem Votar) numa ação de apoio à consulta popular pela independência da Catalunha, rejeitada pelo Governo de Madrid, e que estava marcada para 9 de novembro.

A ação em Portugal vai decorrer frente à Torre de Belém, em Lisboa, em simultâneo com as restantes cidades europeias que fazem parte do programa e o objetivo é que cada pirâmide seja composta por 150 pessoas.

«Vamos fazer a pirâmide humana aqui porque há amigos em Portugal e porque queremos fazer mais amigos. Procuramos cidades onde se possa suscitar interesse sobre o que está a acontecer na Catalunha e onde este interesse possa ser maior», acrescentou Muriel Casals, que representa igualmente um grupo de outras organizações da sociedade civil catalã.

«Queremos dizer à Europa, no dia 08 de junho, que os catalães querem votar (referendo) e precisamos de o dizer fora da Catalunha porque o Governo espanhol está muito fechado e é preciso agregar uma pressão cívica, cultural e democrática em cidades e países europeus e Lisboa é uma cidade amiga e aliada e com sentimento democrático para com os catalães», afirmou.

O governo da Catalunha (Generalitat) já anunciou a data para a realização da consulta popular, mas o assunto tem sido de grande controvérsia em Espanha porque o Governo do Partido Popular não aceita a realização do referendo, que considera ilegal.

«O direito a votar e a expressar uma vontade através das urnas é um direito básico, mas as instituições europeias evitam este direito básico. Esperámos pela democracia e pela modernidade, mas nada mudou. A Espanha agora é rica e democrática está na União Europeia e tem uma cultura fantástica, reconhecida e admirada no mundo, mas não quer ser plural, quer ser homogénea e nós somos diferentes. Nem melhores, nem piores, somos diferentes e, para vivermos com as nossas diferenças de forma amistosa, queremos ser vizinhos, não queremos ser uma pedra no sapato», diz a ativista.

Para os independentistas catalães, a consulta popular é uma «questão básica de democracia» até porque, lembram, a Escócia vai escolher através do referendo se quer, ou não quer, a independência do Reino Unido.

Para Muriel Casals, atualmente, a Europa é um bloco «integrado» e a secessão de um Estado é muito menos dramática do que há 50 anos, porque não há fronteiras e a moeda é comum.

Lembrando que a consulta popular prevê também expressar a opinião, não apenas pela independência, mas também pelo federalismo, Casals mostrou-se convencida de que, nesta altura, a independência é um sentimento maioritário e que é mais provável a vitória da independência do que o federalismo. Até porque este, defende, pode vir a instaurar um processo, «que pode ser prolongado», com o Governo de Espanha.

«Se vencer o federalismo o processo será igualmente prolongado mas mais complicado, creio, porque requer uma transformação de toda a Espanha. Já levamos mais de 300 anos a tentar transformar Espanha», referiu.