O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont pronunciou, esta terça-feira, no parlamento da Catalunha a Declaração Unilateral de Independência para a suspender logo a seguir. 

Com o resultado de dia 1 de outubro, a Catalunha ganhou o direito a ser um estado independente. Conseguimos o que nos comprometemos. Chegados a este ponto histórico, assumo perante todos o mandato do povo para que a Catalunha se converta num Estado independente, sob a forma de República. (...) É o que fazemos hoje [declarar a independência], com toda a solenidade, e com a mesma solenidade propomos que o parlamento [regional] suspenda a declaração de independência para empreender um diálogo para chegar a uma solução acordada.”

A declaração, que foi atrasada uma hora, teve início às 18:13 (hora de Lisboa). O presidente da Catalunha começou por analisar os resultados do referendo de dia 1 de outubro e as consequências desses mesmo resultados, sublinhando que existe uma "necessidade imperiosa de reduzir a tensão", seja por "ações ou por palavras".

Compareço perante este Parlamento depois dos resultados do 1 de outubro. Não esperem de mim nenhuma ameaça (...) Ouvi, pedi opiniões. Mas não vou expor uma decisão pessoal, mas sim o resultado do 1-O. Estamos aqui porque a 1 de outubro a Catalunha celebrou um referendo de autodeterminação, em condições mais do que difíceis, (...) incluindo violentos ataques policiais", afirmou Puigdemont, reiterando: "Todos formamos um único povo e continuaremos a sê-lo."

Depois de condenar a violência que marcou o referendo de dia 1 de outubro, Puigdemont negou ter enganado o Estado e realizado um referendo ilegal, até porque "houve urnas, boletins de voto e um censo fiável".

Estou muito consciente que há muita gente angustiada e espantada pelo que aconteceu e pelo que pode acontecer. A violência gratuita e a decisão de algumas pessoas de abandonar a Catalunha é algo que não tem efeitos reais na nossa economia, são factos que, admito, nublaram o ambiente. Aos que tem medo, envio uma mensagem de tranquilidade e empatia".

O presidente da Generalitat afirmou ainda que "a Catalunha acreditava que a Constituição podia ser um bom ponto de partida para o autogoverno".

Às 20:58 (hora de Lisboa), Carles Puigdemont assinou a declaração de Independência da República da Catalunha.

Puigdemont "não sabe onde está, para onde vai nem com quem quer ir"

A vice-presidente do Governo espanhol disse que o discurso do chefe do executivo da Catalunha é "de uma pessoa que não sabe onde está, para onde vai nem com quem quer ir".

"É o discurso de uma pessoa que não sabe onde está, para onde vai nem com quem quer ir", foi como Soraya Sáenz de Santamaría se referiu à intervenção de Carles Puigdemont, anunciando que o governo espanhol realiza quarta-feira de manhã uma reunião extraordinária que servirá para analisar a aplicação das medidas necessárias para fazer face à crise na Catalunha.

O anúncio, feito por Soraya Sáenz de Santamaría, seguiu-se ao discurso do presidente catalão, Carles Puigdemont, perante o Parlament (parlamento) regional.