O uso de burkini, fato de banho islâmico que só deixa o rosto, as mãos e os pés à mostra, está proibido desde o final de julho nas praias de Cannes e quem infringir a lei municipal será punido com uma multa de 38 euros, noticia a imprensa francesa.

Dois dias depois do cancelamento do “Dia do Burkini”, um evento num parque aquático na localidade de Pennes-Mirabeau, no sul de França, que estava marcado para o dia 10 de setembro, o uso de fato de banho islâmico volta a gerar polémica.

De acordo com um despacho municipal de 28 de julho de 2016, assinado pelo presidente do município, David Lisnard, e agora criticado pelos internautas e debatido no Twitter desde quinta-feira, a cidade de Cannes proibiu, até 31 de agosto, o acesso às praias de pessoas cujo comportamento não respeita "a laicidade".

 

 

A medida não visa “o véu [islâmico], kipá ou a cruz [católica]", mas os sinais considerados de "ostentação", explica à FranceTV o diretor-geral dos serviços municipais, Thierry Migoule, que considera que o burkini é "um sinal de adesão ao jihadismo ".

 

O diretor-geral dos serviços da cidade de Cannes garante que há outras três razões para se proibir o burkini. A peça de vestuário, mais do que uma combinação concebida para nadar, coloca “um problema de saúde" e um risco para a segurança da pessoa que a veste e para as equipas de resgate "que não aprenderam a salvar banhistas completamente vestidos”. A autarquia teme ainda que possa haver uma perturbação da ordem pública.

"Neste contexto de emergência, não sabemos como é que as pessoas podem reagir a trajes provocantes”, afirmou, numa referência ao estado de emergência que vigora em França desde os ataques a Paris, em novembro de 2015, e que vai durar mais seis meses, após 84 pessoas perderem a vida em Nice.

Para Thierry Migoule, o burkini "não é uma roupa, mas um uniforme”.

O traje de banho que cobre o corpo todo, incluindo o cabelo, vendido como uma forma de as mulheres que usam o véu islâmico se possam banhar sem mostrar o corpo, é, aos olhos do responsável municipal, "um sinal de ostentação e de pertença a um movimento que luta contra nós, ao jihadismo”.

Para Thierry Migoule, o que faz com que o burkini seja um sinal religioso "ostentatório", ao contrário de um véu islâmico, é a novidade: "É algo que não víamos há alguns anos atrás."

Não se trata, por isso, de proibir o uso de símbolos religiosos na praia, mas as indumentárias que fazem referência a uma lealdade para com os "movimentos terroristas que nos declararam guerra", esclareceu.

Nenhuma multa aplicada em duas semanas

De acordo com a FranceTV, a Câmara Municipal afirma que a presença de mulheres em burkini, em Cannes, tem “sido constatada”, mas admite que “não há muitas”. A mesma entidade garante que, depois da proibição, ainda não foi observado qualquer burkini nas praias de Cannes.

Desde a entrada em vigor da medida, a polícia municipal "não aplicou uma única multa", diz Thierry Migoule, para quem, "em primeiro lugar, se trata de explicar a medida”, que passa a ser passível de uma multa de 38 euros.

No despacho municipal, a definição da indumentária proibida é vaga: o texto interdita as praias a “qualquer pessoa que não esteja vestida, de acordo com os bons costumes e respeitosa da laicidade”, da higiene e de regras de segurança.

Outra passagem do texto refere “os fatos de banho que ostentem uma filiação religiosa”. Mas o município assegura que apenas o burkini é visado.