O homem que decapitou e matou um passageiro numa viagem de um autocarro da «Greyhound» no Verão passado, na província canadiana do Manitoba, foi considerado como «inimputável criminalmente». Na leitura da sentença, esta quinta-feira, o Tribunal de Manitoba isentou o homicida, Vince Li, de culpa no crime cometido por concluir que ele sofre de perturbações psíquicas.

Apesar de classificar o crime como um «acto grotesco horrendo», o juiz considerou que este indicia «perturbações mentais», acrescentando que Li não teve consciência de que o «acto que cometeu foi errado». Li declarou-se «inocente» do homicídio de que foi acusado.

Vince Li não vai ser preso, mas será internado num estabelecimento psiquiátrico provincial, onde será acompanhado, podendo uma comissão determinar a sua saída se concluir que ele não representa perigo.

Este caso remonta a 30 de Julho passado quando Vince Li, um imigrante chinês de 40 anos e cidadão canadiano desde 2007, entrou num autocarro da companhia «Greyhound», que fazia o trajecto entre as cidades de Edmonton (província de Alberta) e Winnipeg (Manitoba), e se sentou ao lado de Tim McLean, de 22 anos de idade, após este lhe dirigir um sorriso e uma curta saudação. Pouco tempo depois, esfaqueou brutalmente Mclean, mutilando-o e cortando-lhe a cabeça que depois exibiu dentro do autocarro.

A investigação concluiu ainda que Li terá digerido partes do corpo de McLean - como os olhos que nunca foram encontrados - e esquartejou o cadáver, guardando alguns pedaços nos bolsos.

De acordo com especialistas psiquiatras ouvidos durante o julgamento, Li sofre de esquizofrenia e no momento em que praticou o homicídio teve um grave ataque psicótico. De acordo com os médicos, no momento do crime Li ouviu vozes de Deus a ordenar-lhe que matasse McLean por ele ser diabólico, justificando depois a mutilação do cadáver por recear que voltasse à vida e se vingasse.

Face à decisão judicial, a família da vítima manifestou decepção e anunciou se iria manter vigilante com vista a nunca deixar que Li seja libertado. «Ele [Vince Li] fê-lo. Se estava bem ou mal mentalmente, ele perpetrou o acto. Não houve mais ninguém naquele autocarro com uma faca a esquartejar o meu filho. Só uma pessoa o fez», frisou Carol deDelley, mãe de Tim McLean aos jornalistas no final do julgamento.