O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse esta quinta-feira que o atirador que «aterrorizou» o parlamento federal «foi um terrorista» que assassinou, «a sangue frio», um reservista das Forças Armadas do país.

«O tiroteio que ocorreu durante a manhã no bloco central do parlamento foi um ataque a todos os canadianos», afirmou o chefe de governo (conservador) numa declaração à Nação, na noite de quarta-feira, e onde sublinhou que os canadianos «não vão ficar intimidados».

Stephen Harper disse também que o «trágico incidente vai fortalecer a determinação do Canadá em localizar supostos terroristas no país e ajudar os aliados internacionais a derrotar os terroristas no Iraque».

Em Portugal, o especialista em segurança, José Manuel Anes, ex-presidente do Observatório do Terrorismo, considerou que ataque no Canadá pode levar a mais atentados no mundo ocidental.

O primeiro-ministro canadiano referia-se ao homem suspeito de ter participado em três tiroteios, esta quarta-feira, em Otava, que acabou por causar a morte de um soldado que vigiava o Memorial Nacional da Guerra. O suspeito é um homem canadiano, de 32 anos, convertido ao Islão, e que tinha o passaporte apreendido por ser considerado um viajante de «alto risco».


A identidade do homem foi revelada pela CBC News, um órgão de informação canadiano. Os documentos judiciais obtidos pela CBC News mostram que Zehaf-Bibeau se declarou culpado de acusações de posse de drogas e roubo. Em 2004, declarou-se culpado pelo primeiro crime e foi condenado a 60 dias de prisão. Voltou depois, em 2011, a desrespeitar a lei, desta vez na Colômbia britânica, uma das dez províncias do Canadá. Na sequência de um assalto a um banco, em Vancouver, foi acusado de roubo e de ameaças. Mais uma condenação.

Documentos judiciais do Quebec revelam, por outro lado, que Zehaf-Bibeau vivia atualmente em Montreal, mas segundo a CBC News, que foi até à morada indicada, os vizinhos disseram que há anos que não andava por ali, mas recordam-no como um «menino doce», pelo que estão em estado de choque com a notícia. 

O soldado baleado esta quarta-feira, e que acabou por morrer, é Nathan Cirillo, segundo disse uma tia do militar ao mesmo jornal. O soldado fazia parte de um regimento com base em Hamilton, e estava a treinar para se juntar à Agência de Serviços Fronteiriços do Canadá.

Foi abatido quando fazia sentinela no Memorial Nacional da Guerra. O homem armado, que agora se julga ser Michael Zehaf-Bibeau, terá depois roubado um carro e rompido a segurança do parlamento canadiano. O soldado ainda foi socorrido, mas acabou por não resistir aos ferimentos.

Já dentro do edifício governamental, o suspeito terá disparado cerca de 30 tiros, onde terá ficado ferido um outro guarda. 


Austrália diz estar confirmada a ameaça aos países livres

O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, manifestou hoje a solidariedade do seu país para com o Canadá, depois do ataque.

«Os australianos acordaram hoje com a confirmação de que a ameaça aos países livres e instituições livres é real», disse Abbott aos jornalistas em Camberra, ao expressar a solidariedade do Parlamento e povo australiano ao Canadá neste «dia negro».

Abbott recordou numa área pública do Parlamento de Camberra, perto das portas de entrada, que a segurança da sede do Parlamento australiano foi reforçada há umas semanas e assegurou que as autoridades estão «preparadas para responder a qualquer ato hostil» naquele edifício.