Uma fotojornalista francesa foi assassinada na República Centro-africana (RCA) onde se encontrava em reportagem. Camille Lepage tinha 26 anos e estava no Sudão do Sul desde 2012. Viajou para a República Centro-Africana nos últimos meses, para documentar a violência entre as milícias anti-balaka, de maioria cristã, e as forças Séléka, de maioria muçulmana.

«O corpo foi encontrado durante uma patrulha da força militar Sangaris [conduzida pela França no país africano desde dezembro] num controlo efetuado a um veículo conduzido por membros [das milícias cristãs] Anti-Balaka, na região de Bouar», avança um comunicado publicado no site do Palácio do Eliseu.

No texto, em que se apresenta as condolências à família da fotojornalista, o Presidente francês, François Hollande, anuncia «o envio imediato» para o local de uma equipa formada por militares franceses e por elementos da polícia da força africana presente no país.

«Todos os meios necessários serão usados para esclarecer as circunstâncias deste assassínio e para encontrar os responsáveis pela morte da nossa compatriota», garante a Presidência francesa.

De acordo com a AFP, Camille Lepage viajou na semana passada para Amada Gaza, perto da fronteira com os Camarões e a 120 quilómetros de Berbérati, a terceira maior cidade da República Centro-Africana.

A informação foi avançada pela própria fotojornalista, no texto que acompanha a última fotografia que partilhou na rede social Instagram, no dia 6 de Maio.

«A viajar com os anti-balaka para Amada Gaza, a cerca de 120 quilómetros de Berbérati, partimos às 3h30 para evitar os postos de controlo da MISCA [a força de manutenção de paz da União Africana] e demorámos oito horas de moto, porque não há estradas em boas condições. Na região de Amada Gaza, 150 pessoas foram mortas pelas forças Séléka desde Março. Outro ataque foi registado no domingo, com a morte de seis pessoas. O coronel anti-balaka Rock decidiu enviar os seus elementos para lá para patrulharem e para levarem as pessoas de volta às suas casas em segurança», escreveu Camille Lepage.

A fotojornalista estava a residir no Sudão do Sul desde o Verão de 2012, «para explorar a sua paixão no mais novo país do mundo», como explicou na sua página da internet em julho de 2012. No Sudão do Sul, Camille Lepage realizou vários trabalhos, publicados por várias agências e jornais internacionais, com a Reuters, o «The New York Times» e a BBC.

Nos últimos meses instalou-se na República Centro-Africana, para documentar o clima de terror entre as milícias anti-balaka e as forças Séléka. Os anti-balaka estão a vingar-se dos massacres das forças de maioria muçulmana que derrubaram o Governo da República Centro-Africana em Março de 2013.