"Noblesse oblige", em tradução livre do francês, "a nobreza obriga", será a expressão aplicável ao lorde britânico e secretário de Estado do departmento de Desenvolvimento Internacional, Michael Bates, que na quarta-feira protagonizou uma das mais insólitas e inesperadas demissões: na Câmara dos Lordes, da qual faz parte, pediu desculpas a uma par do partido trabalhista por não estar presente para lhe responder a uma pergunta, disse-se envergonhado e, em alto e bom som, anunciou a sua resignação.

Quero pedir as mais sinceras desculpas à baronesa Lister pela descortesia de não estar no meu lugar para responder à sua pergunta sobre um assunto importante no início da sessão", afirmou Bates, dizendo-se ainda "profundamente envergonhado".

Levando a muito a sério a pontualidade, britânica, no caso, Michael Bates frisou ainda que "durante os cinco anos em que tem sido meu privilégio responder a questões em nome do governo, sempre acreditei que devemos manter os mais altos níveis de cortesia e respeito ao responder às legítimas questões da legislatura".

No pouco mais de um minuto em que falou na sessão, Bates terminou de forma inesperada, apresentando publciamente a sua demissão.

Estou profundamente envergonhado por não ter estado no meu lugar e, portanto, vou apresentar a minha demissão à primeira-ministra com caráter imediato. Peço desculpa", terminou Bates, metendo os papéis debaixo do braço e saindo da sala, num momento que toda a imprensa britânica tem divulgado.

Recusa geral

Quando lorde Bates saiu da sala, de todos os seus pares ouviu um "não!", recusando a demissão. Mais tarde, segundo refere o jornal The Guardian, a democrata Ruth Lister, a cuja pergunta o membro do governo não respondera, escreveu-lhe uma carta pedindo-lhe que reconsiderasse.

De todos os ministros que gostaria de ver demitirem-se, ele seria o último", afirmou Ruth Lister, citada pelo The Guardian.

A baronesa adiantou ainda ter frisado "que ele era um dos mais corteses ministros quando responde a perguntas na câmara".

Embora não o tenha escrito na carta, muitos ministros mostram muita mais descortesia fugindo às perguntas que lhes fazemos, enquanto ele tenta sempre responder", afirmou Ruth Lister.

Na situação, em concreto, a pergunta, anteriormente agendada, foi respondida pelo lorde John Taylor, já que Bates se atrasou um par de minutos.

Tal como ocorreu na câmara, no momento em que se demitiu, também o governo britânico recusou a resignação de Michael Bates.

Com toda a sinceridade, Lord Bates apresentou hoje a sua demissão após ter falhado o início da sessão de perguntas na Câmara dos Lordes, mas a sua resignação foi recusada, por se entender que era desnecessária", foi a posição expressa por um porta-voz do governo britânico, citado pelo jornal The Guardian.