Uma criança de quatro anos está entre os 116 arguidos condenados a penas de prisão perpétua por alegados crimes cometidos durante um protesto violento em 2014, onde manifestantes entraram em confrontos com a polícia numa localidade a 65 quilómetros do Cairo.

Ahmed Mansour Karni, que na altura tinha menos de dois anos, foi condenado por quatro crimes de homicídio, oito de tentativa de homicídio, atos de vandalismo e ameaças a soldados e agentes da polícia.

O nome da criança foi adicionado à lista de arguidos por acidente e não foi retirado antes do julgamento começar. A certidão de nascimento de Ahmed – que prova que ele nasceu em 2012 – não chegou às mãos do juiz, e por isso a criança acabou condenada junto com os outros 115 arguidos.

Como escreve o Jerusalem Post, o advogado de defesa, Faisal a-Sayd, garante que entregou a certidão de nascimento ao tribunal, mas por alguma razão esta não chegou às mãos do juiz. O advogado acusa o magistrado de não ter lido o caso.

“A certidão de nascimento de Ahmed Mansour Karni foi apresentada ao juiz após as autoridades adicionarem o seu nome à lista de acusados, mas depois o caso foi transferido para um tribunal militar e a criança foi julgado in absentia. (…) Isto prova que o juiz não leu o caso”.

Outro advogado egípcio, Mohammed Abu Hurira, emitiu um comunicado por escrito onde critica a justiça do país e o Governo, que permite que aconteçam situações destas.

“As sentenças no Egito não são reversíveis. Não há justiça no Egito. A lógica cometeu suicídio há muito tempo. O Egito enlouqueceu. [Somos] governados por um conjunto de loucos.”