O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil, João Vaccari Neto, demitiu-se da Secretaria Nacional de Finanças do partido, depois de ter sido preso na quarta-feira pela Polícia Federal durante a 12ª fase da Operação Lava Jato. Vaccari Neto é suspeito de ter canalizado financiamento ilegal da petrolífera estatal Petrobras para o partido de Dilma Rousseff e de Lula da Silva. Vaccari Neto, que nega as acusações, está em prisão preventiva.
 
Na sequência da detenção do tesoureiro, o partido da Presidente do Brasil anunciou o apoio ao homem que agora está atrás das grades.
 
Num comunicado citado pela BBC News, o PT afirma que a detenção não se justifica visto que Vaccari Neto sempre se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. O texto também informa que os advogados de Vaccari vão apresentar na justiça um pedido de «habeas corpus», para que ele seja libertado «no prazo mais curto possível».
 

«Reafirmamos nossa confiança na inocência de João Vaccari Neto, não só pela sua conduta à frente da Secretaria Nacional de Finanças e Planeamento, mas também porque, sob a égide do Estado Democrático de Direito, prevalece o princípio fundamental de que todos são inocentes até prova em contrário», refere ainda o texto.

 
O comunicado, assinado pelo presidente do PT, Rui Falcão, informa que Vaccari Neto pediu afastamento por questões «práticas e legais». De acordo com a assessoria de imprensa do PT, as razões «práticas» para o afastamento são a impossibilidade de Vaccari Neto exercer as tarefas na Secretaria de Finanças do partido enquanto está preso.

João Vaccari Neto (Foto: Reuters) 

O anúncio do afastamento de Vaccari foi feito depois de uma reunião entre o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. Falcão estava em Brasília e, depois da prisão de Vaccari, viajou para São Paulo, onde almoçou com Lula da Silva.
 
 A imprensa brasileira diz que Vacarri Neto é um dos mais destacados suspeitos de envolvimento na rede de corrupção da Petrobras, também conhecido por operação Lavo Jato, e que tem levado à detenção de altos quadros de grandes empresas brasileiras, nomeadamente construtoras, e de políticos. Neto é suspeito de ter recebido suborno no esquema de corrupção que tem no seu centro a Petrobras.

O caso Lava Jato, investigado desde março de 2014, está relacionado com um esquema de lavagem de dinheiro, envolvendo a Petrobras, com montantes que rondam os 10 mil milhões de reais, de acordo com as autoridades brasileiras. Nas 12 fases do caso, a Polícia Federal já cumpriu quase 400 mandatos judiciais, com prisões preventivas e temporárias, buscas e apreensões. As autoridades brasileiras suspeitam da existência do pagamento de subornos a políticos e executivos de empresas que fizeram contratos com a Petrobrás, entre eles Camargo Corrêa (dona da Cimpor), a Sanko-Sider e a Galvão Energia.