Moussa Sene, de 34 anos, foi enfermeiro durante quase 15 anos no Senegal. Quando emigrou para o Brasil, tornou-se num simples operário de uma fábrica de bebidas, que ganha o salário mínimo de 788 reais (menos de 200 euros).
 
A vida de Moussa pode ter mudado radicalmente na última sexta-feira, quando socorreu uma idosa, num comboio em movimento, e a história começou a circular nas redes sociais.
 
Moussa viajava com duas amigas entre São Leopoldo e Novo Hamburgo, em Rio Grande do Sul. Uma idosa, que viajava com o marido, sentiu-se mal e caiu, magoando-se no nariz. Moussa usou os conhecimentos que a profissão antiga lhe conferiu e socorreu a mulher. Tratou-lhe do ferimento no nariz e controlou-lhe o pico agudo de tensão arterial elevada que tinha sofrido.
 
A idosa saiu na estação seguinte e foi depois socorrida por funcionários da companhia de transportes. Moussa não sabe sequer o nome dela. Mas a imagem dos dois está a correr mundo. Um cineasta e professor universitário publicou as fotografias no seu Facebook e a história ganhou vida.
 
 

Essa é para quem tem medo de imigrantes e refugiados:Aconteceu por volta das 17:30, no Trensurb, altura da estação Rio...

Posted by Ulisses Da Motta Costa on  Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

 
Moussa passou a tarde e a madrugada de domingo a dar entrevistas. Na segunda-feira, levantou-se à mesma hora de sempre e foi trabalhar no emprego de sempre.
 
Entre segunda e terça-feira, Moussa recebeu mais de 50 propostas de trabalho. Vieram de hospitais, centros de saúde, lares de idosos e até de famílias. Se for trabalhar como enfermeiro, poderá ganhar três vezes mais do que ganha atualmente.
 
O sonho dele é trabalhar num bloco operatório e poderá concretizar-se. Já foi a uma entrevista no Vale do Sinos e a contratação está praticamente certa. Resta-lhe apenas fazer a revalidação do diploma, o que já deve ser feito ao longo deste semana.
 
Moussa está há 18 meses no Brasil e deixou no Senegal a esposa de 23 anos e os dois filhos, uma menina de dois anos e um menino de cinco.