Manifestantes invadiram este sábado a avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, onde decorre o desfile militar em comemoração ao dia da independência brasileira, e foram reprimidos pela polícia com bombas de gás lacrimogéneo.

Os manifestantes foram retirados da avenida antes da passagem do desfile pelo local invadido, e a Polícia Militar dispersou-os para algumas ruas paralelas e perpendiculares à avenida. Pelo menos cinco pessoas foram detidas, segundo a imprensa brasileira.

Antes, já tinha havido confrontos entre manifestantes e polícias durante a revista antes do protesto, também no centro do Rio de Janeiro. Pelo menos um manifestante foi detido durante a confusão.

O dia da independência brasileira é tradicionalmente um dia de diferentes manifestações nas principais cidades, de grupos que pedem melhores condições para as minorias e criticam a corrupção.

Este ano, no entanto, a onda dos protestos vivida no país em junho motivou o agendamento de atos em mais de 140 municípios. Até ao momento, apenas no Rio de Janeiro se registaram confrontos entre polícia e manifestantes.

Os desfiles militares foram marcados pela pouco público, pela redução da sua duração e pela ausência de políticos, como governadores de estados.

Em Brasília, onde a Presidente Dilma Rousseff passou em carro aberto, apenas cinco mil pessoas haviam comparecido até as 10:00 locais (14:00 em Lisboa), face às 30 mil esperadas, segundo a polícia.

O público não se motivou a assistir aos desfiles num contexto de diversos protestos marcados para a capital federal e anúncios de revistas mais rigorosas. Hoje à tarde, Brasília será palco de um particular da seleção de futebol, e a polícia prevê que 150 mil pessoas devam sair às ruas, entre público e manifestantes.

Em São Paulo, as arquibancadas do sambódromo do Anhembi, onde passou o desfile militar, tinham diversos espaços vazios. O evento foi marcado por faixas de protesto contra a corrupção e por mais direitos humanos. No Rio de Janeiro, o desfile, que costuma ter três horas de duração, foi encurtado para duas horas.

Em Recife, no nordeste brasileiro, um grupo de manifestantes queriam protestar nus, em bicicletas. Perante a ameaça de detenção, a «pedalada» foi feita com os participantes seminus.