O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão da Aeronáutica (Cenipa) brasileira, concluiu que o acidente que provocou a morte de Eduardo Campos, candidato nas eleições do Brasil, foi uma sequência de falhas humanas. Os resultados da investigação ao acidente só serão divulgados em fevereiro, mas o jornal «Estado de S. Paulo» avança, esta sexta-feira, com as primeiras conclusões. 
 
Os investigadores apontam para a falta de treino de Marcos Martins, responsável pelo comando do aparelho, para a aeronave em causa e adiantam que não sabia como usar o mecanismo para aligeirar o processo de aterragem. A aeronave embateu com a extremidade no chão depois do condutor perder a noção do espaço.

De acordo com o jornal brasileiro, o piloto Marcos Martins terá tentado usar um «atalho» da cabine de comando para acelerar o procedimento de descida do aparelho. Ou seja, não usou a rota determinada pelos manuais para a aterragem na Base de Santos, não fez a manobra de acordo com os procedimentos exigidos por aquela pista e tentou aterrar diretamente.
 
O procedimento utilizado pelo piloto fez com que começasse a sofrer o que é tecnicamente descrito como «desorientação espacial» (quando o piloto não sabe se e está a voar para cima, para baixo, em posição normal, de lado ou de cabeça para o ar).
 
A investigação concluiu ainda que o piloto, ao perceber que estava a cair, tentou recuperar altitude. O relatório avançado pelo «Estado de São Paulo» aponta ainda que o avião caiu a baixa velocidade.

Ainda de acordo com a investigação, a relação entre Marcos Martins e o copiloto não era a melhor. E o ajudante já teria pedido para não voltar a voar com o piloto.
 
A falta de preparação e as falhas psicológicas terão sido agravadas pelas condições atmosféricas e pelas condições da pista da Base de Santos, que é curta e com fraca visibilidade. Considerada difícil, mesmo por pilotos experientes.