Luís Inácio Lula da Silva já tomou posse como ministro do renovado Governo de Dilma Roussef. O documento da tomada de posse foi assinado esta quinta-feira, pouco depois das 10:30 (13:30 em Lisboa), numa cerimónia em Brasília. 

A cerimónia da tomada de posse foi acompanhada por protestos nas ruas de apoio e também de protesto contra a decisão de Dilma e de Lula. Houve também tumultos na sala.

Na cerimónia da tomada de posse, Dilma Rousseff atacou ferozmente Sergio Moro, o juiz responsável pela operação Lava Jato, acusando-o de desrespeito à Constituição Federal. A Presidente falou mesmo de "métodos escusos" e "práticas criticáveis", que podem levar à realização de golpe presidencial no Brasil.

"Convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades, métodos escusos e práticas criticáveis viola princípios e garantias constitucionais e os direitos dos cidadãos. E abrem precedentes gravíssimos. Os golpes começam assim", disse.

Assim que Dilma começou a falar, na cerimónia de tomada de posse, houve protestos na sala. Mal Dilma disse “bom dia”, dentro da sala, o deputado Major Olímpio (SD-Solidariedade) gritou: "É uma vergonha o que aconteceu ontem".

Major Olímpio foi vaiado e houve mesmo quem lhe tapasse a boca. Foi escoltado pela segurança presidencial até á porta.

Fora do Palácio do Planalto, os protestos pró e contra o Governo de Dilma Rousseff que decorrem na capital brasileira resultaram em confrontos e houve dois feridos, que acabaram por ser detidos. A assessoria da Polícia Militar do Distrito Federal, que avançou a informação à agência Lusa, acrescentou que se encontram no local cerca de 3.000 manifestantes contra o Governo e 300 a favor.

O clima político e social no Brasil está ao rubro. Sobretudo depois de a justiça ter divulgado uma escuta telefónica, que revela uma conversa entre Lula da Silva e Dilma Rousseff. Na conversa, Dilma anuncia ao ex-presidente que lhe vai enviar um “termo de posse”, para ser usado em “caso de necessidade”. Dilma está a ser acusada pelos analistas e pela opinião pública de obstruir a justiça e tentar evitar uma eventual detenção do amigo e colega de partido, investigado por corrupção.