Dilma foi alvo de dezenas de pedidos de destituição, mas só um foi aceite. A autora do documento é a advogada Janaina Paschoal, 41 anos, especialista em direito económico, em parceria com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

Apesar de o pedido de impeachment aceite pela Justiça brasileira e hoje aprovado pelo Senado ter três autores, Janaina foi a mais mediática. Sobretudo por causa das declarações que tem proferido na imprensa brasileira contra Dilma, o governo liderado pela Presidente e seus apoiantes.

As mais polémicas dessas declarações foram proferidas durante um discurso na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde é professora. “Brasil não é a República da Cobra”, disse a advogada, referindo-se indiretamente a Lula da Silva que se tinha autodenominado de “jararaca”.

Janaina com Miguel Reale Junior, durante a reunião da comissão do Senado onde foi apresentado o pedido de impeachement (REUTERS/Ueslei Marcelino)

Numa entrevista à BBC Brasil, Janaina explicou que decidiu apresentar o pedido de impeachment porque todos os seus protestos contra o Governo de Dilma tinham caído em saco roto: "Ficava muito triste ao ver que não davam em nada".

Foi também a Janaina que coube defender os argumentos do pedido de destituição. Reale Júnior teve de sair logo depois da apresentação da denúncia e Hélio Bicudo estava de baixa médica.

Cada um desses pilares da denúncia tem crime de sobra de responsabilidade e tem crime comum de sobra", disse.

Esta quinta-feira, dia em que o Senado votou a favor da abertura do processo de impeachment, Janaina mostra-se confiante. Numa entrevista ao jornal O Globo, a advogada afirmou que esta é "uma chance de reconstrução do país".

O sentimento que tenho hoje é de resgate de cidadania seja qual for o resultado, é uma chance de reconstrução do país. Espero que Temer, caso assuma, tenha grandeza de entender o momento que vivemos e coragem para fazer mudanças necessárias."