Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morreu esta segunda-feira, dois dias após ter sido agredida por dezenas de vizinhos em Guarujá, no Brasil. De acordo com a família, a mulher terá sido atacada depois de uma rede social ter criado um boato que dava conta que a dona de casa sequestrava crianças para realizar rituais de magia negra.

Após as agressões, a brasileira terá sofrido um traumatismo craniano e foi internada em estado crítico no Hospital Santo Amaro.

As autoridades acreditaram que logo após o espancamento a mulher teria morrido, mas apenas esta segunda-feira, a família recebeu a informação de que Fabiane não tinha resistido aos ferimentos e tinha falecido.

Até ao momento ninguém foi detido mas a Esquadra da Cidade de Guarujá já avisou que terá aberto um inquérito para apurar responsabilidades.

Em entrevista ao «G1», o marido da vítima, Jaílson Alves, explicou que o motivo das agressões resultou de uma confusão, depois de um site ter «colocado uma foto de uma pessoa parecida com ela e toda a gente pensou que se tratava de Fabiane».

«Quando ela voltou ao bairo, cercaram-na e começaram as agressões», esclareceu.

Jáílson pede agora que se faça justiça e que os responsáveis pelo incidente sejam identificados.

«Quero que seja feita justiça. Cabe à polícia investigar. Eu não vi ninguém que conheça a agredi-la. Vamos esperar pelas investigações e acredito que os culpados serão responsabilizados», afirmou.

O advogado da vítima Airton Cinto entende que o responsável pelo crime terá sido o autor da publicação, que para já permanece no anonimato.

«Ele divulgou através da Internet que uma mulher supostamente sequestrava crianças, o que terá gerado uma revolta no bairro. Nós pretendemos responsabilizar o site. Vou pedir que seja descoberto o endereço de IP do computador. Irei solicitar a prisão preventiva, tanto para aqueles que serão identificados nos vários vídeos que foram gravados durante as agressões, como para o responsável pela publicação», garante o advogado.

A foto foi eliminadas poucas horas após ter sido divulgada.

Contactados pelo «G1» os administradores da «Guarujá Alerta», site responsável pela divulgação da imagem, responderam que terão sempre alertado os seus seguidores que a situação era apenas um boato, e mantém-se disponível para cooperar com as entidades.