A Polícia Civil brasileira está a investigar o caso do bebé que foi atingido por uma bala perdida, ainda na barriga da mãe, no Rio de Janeiro. A mulher, Claudinéia Melo, grávida de 39 semanas, tinha saído para ir ao mercado, na última sexta-feira, quando foi apanhada numa troca de tiros entre polícia e traficantes.

A criança nasceu de cesariana de emergência e o seu estado de saúde ainda é considerado “gravíssimo”, de acordo com fontes médicas citadas pelo portal de notícias G1. O bebé, Arthur, ficou paraplégico, adiantam os médicos.

Esta criança tem uma lesão nas vértebras toráxicas T3 e T4. Está com uma paraplegia de membros inferiores. E também nós estamos resguardando este prognóstico nas primeiras horas, na primeira semana, no primeiro mês, tudo pode acontecer.”

As palavras são do secretário de saúde da região carioca de Duque de Caxias, José Carlos Oliveira, que é médico ginecologista e que está a acompanhar o caso.

A bala atingiu a mãe na zona da bacia e acabou por perfurar os pulmões do bebé e provocar-lhe a lesão na coluna descrita pelo médico. O menino já foi submetido a duas cirurgias.

Também o estado de saúde da mãe está a preocupar os médicos. “O quadro de saúde da mãe é grave. Está no CTI [Unidade de Cuidados Intensivos] e está a ser acompanhada pela equipa do Hospital Moacyr do Carmo e está a ser assistida. A criança foi transferida para o Hospital Adão Pereira Nunes. (…) O quadro do bebê é gravíssimo”, explica José Carlos Oliveira, citado pelo G1.

De acordo com os primeiros dados da investigação, o tiro que atingiu Claudinéia terá sido disparado por armas dos traficantes.  

Todos os indícios que nós temos até agora indicam que esse tiro partiu dos traficantes. Serão ouvidos os familiares, a própria vítima, para que ela nos informe o que que ela viu, se ela chegou a ver alguma coisa, e os policiais militares serão reinquiridos sobre a possibilidade de identificação dos autores dos disparos da arma de fogo”, disse a delegada Raíssa Celles, responsável pelo caso.

Já foram ouvidos dois polícias envolvidos no tiroteio, que disseram que estavam a sair da Favela do Lixão quando foram atacados, tendo ripostado.