O secretário-geral da ONU manifestou no domingo a sua preocupação com a tentativa de membros do Governo e exército do Sudão do Sul de entrarem na base da missão da organização na cidade de Bor.

Ban Ki-moon está «especialmente preocupado» com o facto de pessoal das Nações Unidas ter sido ameaçado por militares do Sudão do Sul depois de impedir a entrada de soldados armados na sua base, onde estavam refugiados milhares de civis.

O secretário-geral da ONU «condena as ameaças contra o pessoal da ONU e exige que todas as partes em conflito respeitem os centros de proteção da missão da organização», refere um comunicado do porta-voz de Ban Ki-moon.

«Este incidente é apenas um do crescente número de violações» do acordo sobre a presença da ONU no país, o que torna «cada vez mais difícil» para a organização cumprir o seu mandato e o trabalho do seu pessoal «perigoso», acrescenta a nota.

O incidente denunciado pela ONU ocorreu depois de as tropas governamentais terem tomado o controlo da cidade de Bor, capital do Estado petrolífero de Jonglei que estava nas mãos dos rebeldes, tal como anunciou no sábado um porta-voz militar governamental.

Bor tem caído alternadamente nas mãos das forças governamentais e dos rebeldes desde o início do conflito, em meados de dezembro, depois de o Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, ter acusado o ex-vice-presidente Riak Mashar de tentar um golpe de Estado.

Ban Ki-moon lamentou que milhares de civis tenham morrido, sofrido abusos ou ficado sem casa em pouco mais de um mês de conflito no jovem país africano, pelo que apelou às partes para que façam mais no sentido de garantir que os combatentes protejam os civis e respeitem o direito humanitário internacional.

Os líderes dos diferentes grupos «deveriam também cessar imediatamente as hostilidades, que têm tido um efeito devastador no seu jovem país», concluiu o secretário-geral da ONU.