A Força Aérea da Rússia realizou 18 ataques na Síria ao longo das últimas 24 horas, apesar da preocupação internacional em torno da campanha militar. O Governo russo adiantou, esta sexta-feira, que atingiu 12 alvos do Estado Islâmico desde a noite de quinta-feira nas províncias de Idlib, Hama, Aleppo e Raqqa.

A Rússia "realizou 18 missões contra 12 alvos do grupo terrorista Estado Islâmico", disse o porta-voz do Ministério russo da Defesa, Igor Konashenkov, citado pela agência russa de notícias, Tass.

Um comunicado do Ministério russo da Defesa informou que as 18 missões, levadas a cabo pelos aviões de guerra Sukhoi-34, Sukhoi-24M e Sukhoi-25, atingiram, entre outros alvos, um posto de comando e um centro de comunicações na província de Aleppo, assim como um acampamento militante em Idlib. Foi ainda atacado um campo de treino próximo da cidade de Maadan Jadid, na província de Hama.

A aviação russa anunciou também ter bombardeado pela primeira vez alvos na província de Raqqa, no Leste da Síria, capital do autoproclamado Estado Islâmico. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, foram mortos pelo menos 12 membros da organização jiadista.
 

Rússia está mesmo a bombardear o Estado Islâmico?

 
As autoridades internacionais e algumas na Síria duvidam que a Rússia esteja a limitar os ataques ao Estado Islâmico.

Dois dias após os primeiros bombardeamentos russos na Síria, que atingiram alvos em três regiões do noroeste sírio, Homs, Hama e Latakia, onde não há presença significativa do autoproclamado Estado Islâmico, mantêm-se as dúvidas relativamente às verdadeiras intenções de Moscovo e aos alvos que tem efetivamente em mira na Síria.
 
Moscovo garante que esse primeiro ataque aéreo, levado a cabo na quarta-feira, visou posições do Estado Islâmico, mas governos ocidentais, forças de oposição sírias e observadores no terreno desmentem essa versão. Afirmam que a aviação russa atacou sobretudo posições de rebeldes moderados e grupos oposicionistas ao Presidente sírio Bashar al-Assad, como a Frente-al Nusra, o poderoso braço da Al-Qaeda na Síria.

Um grupo de ativistas locais na cidade de Talbiseh, na província de Homs, disse que o ataque aéreo causou a morte a 16 civis, entre eles duas crianças. Já a Organização de Defesa Civil da Síria, uma força de socorros não-governamental, elevou esse número para 33.
 
Na quinta-feira, antes de um segundo bombardeamento sobre uma cidade ocupada pela aliança de rebeldes anti-Assad Exército da Conquista, Sergey Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, desmentiu as acusações, incluindo a de haver vítimas entre os civis. Sergei Lavrov voltou a lembrar que o objetivo da operação militar russa é apoiar Bashar al-Assad no combate ao Estado Islâmico e outros grupos terroristas.

Ainda na quinta-feira, os países aliados da coligação liderada pelos Estados Unidos, temendo que as ações militares russas na Síria resultem em mais violência, assinaram uma declaração conjunta em que é pedido a Moscovo para pôr fim aos bombardeamentos contra grupos que se opõem ao Presidente sírio e para se focar no combate ao Estado Islâmico.

Os EUA e a Rússia concordam sobre a necessidade de lutar contra o Estado islâmico, mas não sobre a permanência do Presidente sírio, Bashar al-Assad, no poder. A guerra civil síria, que cresceu após um levante contra Assad, já matou mais de 250 mil pessoas desde março de 2011 e enviou milhões de refugiados para a Europa.