A Coreia do Norte garante que vai avançar com o seu programa nuclear mesmo que a comunidade internacional imponha mais sanções. O regime norte-coreano acusou os Estados Unidos de serem o “principal culpado pela escalada de tensão e ameaça nuclear”.

Os Estados Unidos estão terrivelmente equivocados se acreditam que podem assustar ou persuadir a RPDC (República Popular Democrática de Coreia, nome oficial de Coreia do Norte) dizendo que ‘todas as opções’ estão em cima da mesa e impondo as piores sanções e pressão sobre o país", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano.

O comentário do ministério, publicado na noite de terça-feira pela agência estatal de notícias KCNA, refere a reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na segunda-feira, e o pedido da embaixadora norte-americana, Nikki Haley, para ser adotada uma nova e mais forte resolução contra a Coreia do Norte.

Entretanto, o presidente da Coreia do Sul advertiu, nesta quarta-feira, que se o regime de Pyongyang não puser fim às contínuas provocações pode gerar-se uma “situação imprevisível”.

Se a Coreia do Norte não cessar as suas provocações podemos depararmo-nos com uma situação imprevisível”, alertou Moon Jae-in, citado pelos meios de comunicação locais, antes de uma reunião com o Presidente russo, Vladimir Putin, durante o Fórum Económico do Oriente, que decorre em Vladivostok, na Rússia.

Moon sublinhou que as contínuas provocações norte-coreanas “agravam muito” a situação, não só na península coreana, como no nordeste da Ásia em geral.

Também nesta quarta-feira, o governo japonês aumentou para 160 mil toneladas a estimativa da potência do último teste nuclear da Coreia do Norte, o que representa mais do dobro do valor anterior e o número mais elevado a nível internacional.

A Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês) determinou que este teste gerou um sismo de 6,1 graus de magnitude. Com base nisso pode calcular-se que a potência do teste nuclear foi de cerca de 160 mil toneladas”, explicou o ministro da Defesa, Itsunori Onodera, sobre a explosão nuclear realizada pela Coreia do Norte, no domingo.

Inicialmente, a estimativa japonesa apontava para uma força de detonação de cerca de 70 mil toneladas. A revisão, de acordo com a atualização das análises sobre a magnitude da atividade sísmica observada durante a detonação, indica uma potência mais de dez vezes superior à da bomba atómica norte-americana “Little Boy” que destruiu a cidade japonesa de Hiroshima em agosto de 1945.