A presidência da Nigéria anunciou ter chegado a acordo com o grupo radical islâmico, Boko Haram, com vista à libertação das mais de duzentas alunas raptadas de uma escola.

A confirmação foi transmitida pelo chefe-maior das Forças Armadas, Alex Badeh. «Um acordo de cessar-fogo foi assinado entre o Governo Federal da Nigéria e os Jama'atu Ahlis Sunna Lidda'awati wal Jihad», mais conhecidos como Boko Haram.

O acordo implica a libertação das 219 raparigas, raptadas há seis meses pelo grupo islâmico radical.
As tréguas surgem passados poucos dias da realização de uma manifestação a reivindicar uma ação governamental para libertar as estudantes raptadas a 14 de abril.

O rapto em massa deu-se numa escola de Chibok. O ataque ocorreu durante a noite. Quase 300 raparigas foram levadas pelos rebeldes e depositadas em parte incerta. Entretanto, algumas dezenas conseguiram fugir.

O mundo não ficou indiferente e condenou o rapto. De Michelle Obama a estrelas da música e do cinema, que defenderam slogans que diziam que «homens verdadeiros não compram meninas», a propósito das suspeitas de que as raparigas estivessem a ser vendidas como esposas para homens de países vizinhos. Nas redes sociais, a hashtag #bringbackourgirls serviu para denunciar os factos e evitar o esquecimento.


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François Hollande, presidente francês, foi uma das vozes críticas do movimento com ligações à al Qaeda. Numa cimeira organizada em Paris que juntou a Nigérias e os países vizinhos à mesma mesa para tratar do tema, Hollande afirmou que devia ser posto em prática um «plano global» para travar o grupo.

Uma fonte do presidente da Nigéria disse à BBC que as negociações decorriam há um mês, até que na quinta-feira, o Boko Haram anunciou um cessar-fogo unilateral. Esta sexta-feira, o governo aceitou as tréguas.

«Eles asseguram que vão libertar as raparigas», disse o porta-voz à BBC, com um «otimismo cauteloso».

Este é o maior sinal de esperança que surgiu para as famílias das raparigas nos últimos meses, que têm vivido entre a dor e as críticas ao presidente nigeriano, reclamando um pulso mais forte por parte das autoridades.

O grupo extremista islâmico insurgiu-se em 2009 e, a partir daí, deixou um rasto de violência e morte. Segundo a sua leitura do Islão, as mulheres não devem receber educação. «A educação ocidental é pecado», defendem, tal como desejam criar um Estado Islâmico da Nigéria.