Ex-ministros guineenses ligados a «Nino» Vieira estão a receber ameaças de prisão ou de morte na sequência dos assassínios dos atentados no país, disse esta terça-feira à agência Lusa o antigo chefe da diplomacia do país, Soares Sambú.

Nino «foi baleado até à morte»

Contactado por telefone em Bissau, a partir da Cidade da Praia, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros guineense disse à Lusa que há «pelo menos nove» personalidades políticas que estão a ser «perseguidas».

Segundo Soares Sambú, antigo mandatário de Carlos Gomes Júnior - actual primeiro-ministro e presidente do PAIGC -, a «lista» inclui nomes como os ex-ministros da Defesa Helder Proença, Marciano Barbeiro e Daniel Gomes, e o ex-ministro da Economia e Finanças Issufo Sanhá.

Segundo Sambú, a «lista» inclui, além do seu próprio nome, os dos antigos secretário de Estado Isabel Buscardini, Roberto Cacheu e Baciro Dabó (antigo chefe da antiga secreta guineense) e ainda o empresário Manuel dos Santos («Manecas»).

«Estamos todos desprotegidos, sem qualquer guarda pessoal e são frequentes os telefonemas com ameaças de prisão ou de morte para todos nós», disse à Lusa Soares Sambu, recusando a ideia de estarem ligados ao antigo regime de «Nino» Vieira.

«Tenho medo de uma caça às bruxas»

O ex-ministro adiantou ter já contactado as Nações Unidas em Bissau, bem como alguns chefes da diplomacia da União Africana (UA) para denunciar a situação em que se encontra «este conjunto de camaradas».

«Tenho medo de uma caça às bruxas e eu não sou nenhum bruxo, tal como nenhum dos outros meus camaradas», adiantou Soares Sambú, que confirmou à Lusa que a viúva de «Nino» Vieira, Isabel Romano Vieira, está em segurança, numa representação diplomática.

Questionado sobre o paradeiro de João Cardoso, ex-chefe de gabinete do Presidente da República, Soares Sambú afirmou desconhecê-lo, admitindo porém que o homem forte do regime esteja em segurança, mas em local desconhecido.

Fonte da missão das Nações Unidas em Bissau adiantou à Lusa que a ONU «está a pedir a essas pessoas para não entrarem em pânico», sublinhando que a comissão militar, que substitui a chefia militar após a morte do general Tagmé Na Waié, disse já estar disposta a garantir a segurança de todos.

A mesma fonte acrescentou que, neste momento, a missão das Nações Unidas não há ninguém refugiado nas instalações da organização.