O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou esta quinta-feira que o Irão cruzou uma “linha vermelha” ao ter disparado morteiros contra posições israelitas na Síria, ataques esses que desencadearam uma reação militar israelita contra posições iranianas no território sírio.

A nossa reação foi uma consequência. O exército israelita realizou um ataque de grande envergadura contra alvos iranianos na Síria”, disse Benjamin Netanyahu, num vídeo publicado na rede social Twitter.

 

A tensão no Médio Oriente, e nomeadamente no território sírio, aumentou nas últimas horas, com Israel a bombardear, quarta-feira à noite, dezenas de alvos iranianos na Síria e estruturas das forças governamentais de Damasco, em represália por um ataque atribuído ao Irão contra as forças israelitas nos Montes Golã, território sírio que Israel invadiu em 1967 e anexou em 1981.

A escalada da tensão ocorre num contexto de incerteza em relação ao programa nuclear iraniano, depois de os Estados Unidos terem decidido abandonar o acordo nuclear entre o Irão e o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, China, França e Reino Unido - e a Alemanha).

O acordo, concluído em 2015, permitiu o levantamento de parte das sanções internacionais em troca do compromisso de Teerão de limitar o seu programa nuclear a fins civis.

Israel é um reconhecido opositor de Teerão e foi sempre um forte crítico deste acordo nuclear, tendo aplaudido a decisão dos Estados Unidos.

“Estamos envolvidos numa batalha prolongada. O nosso objetivo é claro: não deixaremos que o Irão se estabeleça militarmente na Síria”, prosseguiu o chefe de governo israelita, naquela que foi a sua primeira reação pública após os raides israelitas conduzidos sobre o território sírio. “Vamos atacar 100 vezes mais aqueles que nos atacam. E vamos agir atempadamente contra aqueles que se preparam para nos atacar. É isso que fizemos e vamos continuar a fazer”, advertiu Benjamin Netanyahu.

 

 

Momentos antes da divulgação desta declaração de Netanyahu, as agências internacionais indicaram que o embaixador de Israel junto da ONU denunciou ao Conselho de Segurança aquilo que apelidou como uma “agressão” por parte do Irão.

Segundo a agência noticiosa espanhola EFE, o representante diplomático israelita, Danny Danon, escreveu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a pedir uma condenação do alegado ataque iraniano, mas também a apelar aos Estados com assento naquele órgão para que exijam a Teerão a saída das respetivas forças militares da Síria porque “não só é uma ameaça para Israel, mas também para a estabilidade de toda a região”.

“Israel considera o governo do Irão, juntamente com o regime sírio, diretamente responsável por este ataque e continuaremos a defender os nossos cidadãos com vigor contra todos os atos de agressão", referiu o embaixador israelita, num comunicado.

Danny Danon disse que o seu país “não está interessado numa escalada”, mas que “em nenhuma circunstância” permitirá que o Irão “estabeleça uma presença militar na Síria, cujo propósito é atacar Israel”.

“Temos alertado repetidamente sobre a alarmante consolidação do Irão na Síria e este ato de agressão é, infelizmente, uma materialização desses alertas", frisou o representante diplomático israelita.