Chocado, passou das palavras ao actos. Ben Dickmann tem 40 anos. Vive no estado da Florida, onde, na passada quarta-feira, um ex-aluno entrou a matar na secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkman. Morreram 17 pessoas, no terceiro tiroteio mais mortal em escolas norte-americanas.

Dois dias depois de mais esse massacre - quando a sociedade norte-americana voltava a debater a permissividade da legislação norte-americana sobre a venda de armas e o poder efetivo da National Rifle Association, segundo muitos, capaz de influenciar a escolha de presidentes do país - Ben Dickmann resolveu entregar a sua semi-automática à polícia. Para ser destruída.

Sou um proprietário de armas responsável e altamente treinado. Não preciso desta espingarda. Ninguém, sem um crachá de uma força da ordem precisa de uma espingarda dessas", escreveu Ben Dickmann na sua conta na rede Facebook, publicação à qual mais de meio milhão de pessoas já reagiram.

Nas imagens, Ben mostrou a entrega da arma, uma versão da semi-automática AR-15, que Nikolas Cruz usou na matança que provocou na escola da Florida. E um dos modelos do fabricante Armalite mais vendidos e frequentemente mais usados em tiroteios nos Estados Unidos. 

Gostei imenso de disparar esta espingarda, mas não preciso dela. Entreguei-a ao xerife de Broward, em Tamarac. Poderia facilmente vendê-la, mas ninguém precisa disso. Sou a mudança que quero ver no mundo. Se os nossos legisladores continuarem a fechar os olhos e a abrir as suas carteiras, vou liderar pelo exemplo", acrescentou ainda.

"Rastilho de uma mudança"

O ato isolado de Ben Dickmann, apresentado como caçador e amante pela prática do tiro, tem vindo a ser noticiado por vários meios de comunicação norte-americanos. Incluindo a rádio pública, NPR, que o entrevistou.

O meu objetivo era talvez o de levar um amigo na minha página de Facebook a fazer o mesmo. E talvez esse amigo inspirasse outra pessoa. E quem sabe? Realmente não esperava que isto fosse assim tão rápido", contou Ben Dickmann à NPR.

Na entrevista, explicou também o impulso que o levou a abrir mão da sua espingarda, quando "todos ofereciam pensamentos e orações e nada mais" após mais um massacre numa escola norte-americana: "Pensei, posso fazer algo que acho correto. E é algo que pode ser o rastilho de uma mudança".

Cumprido o ato isolado por um anónimo cidadão - que deixou de o ser, mesmo que por breves momentos -, Ben Dickmann mantem ainda assim a sua discrição e alguma satisfação, a fiar pelo que disse à NPR.

Para ser honesto, não pensei em nenhum grande plano com isto. Estou contente por ter iniciado um debate, com esperança que possa levar a alguma ação. Espero que alguém - sejam estudantes, seja a próxima geração - pegue na ideia e faça algo".