Um casal espanhol conseguiu que o banco BBVA lhes reduzisse uma dívida de 135 mil euros para 10 mil, depois de passarem 94 noites acampados em frente a uma dependência do banco.

Sonia e Paco, residentes em Alicante, ambos desempregados, viram o banco retirar-lhes a sua vivenda em 2013 por falta de pagamento. Após várias tentativas falhadas de acordo, e desesperados, decidiram optar pela medida drástica e obtiveram sucesso esta quarta-feira.

Segundo o El Mundo, tudo começou quando Sonia e Paco ficaram desempregados em 2013. Com duas filhas a seu cargo, nos primeiros meses o casal esforçou-se para cumprir as prestações ao banco recorrendo ao subsídio de desemprego. Porém, quando tal se tornou impossível, decidiram solicitar uma extensão do empréstimo, que o BBVA aceitou, ampliando o pagamento do montante de 30 para 40 anos, porém sujeito a uma penalização de 11 mil euros, acrescentada à dívida inicial. O banco passou também a penhorar 160 euros por mês aos pais de Sonia, fiadores do empréstimo.
 
Ainda assim, tornou-se cada vez mais difícil conseguir pagar a casa, e o banco acabaria por penhorar a vivenda. Com apenas 40 mil euros saldados, nesta altura, o casal decide pedir uma dação em pagamento, isto é, que a dívida fosse “perdoada” em troca da casa, mas o banco não aceitou.

No final do ano passado, num ato de desespero, Paco acorrentou-se à dependência local do BBVA, e foi aí que o banco avançou com uma nova proposta: baixar a dívida de 110 mil euros para 35 mil, a pagar em 12 anos a uma prestação de 300€ por mês, com um agravamento do valor retirado na pensão dos pais de Sonia – ao que há a acrescentar a renda da habitação social onde o casal reside, que custa 75€. Para Sonia e Paco continuava a ser impossível pagar.
 

«Vivemos com 426 euros, onde acham que vamos buscar esse dinheiro?», disse Sonia ao «El Mundo».

 
O casal decide então recorrer à Plataforma de Afetados pela Hipoteca (PAH), e acampar em frente à sucursal do banco. Foram 94 noites a dormir em frente à porta do BBVA, num ato de protesto ao qual se juntaram outras pessoas da plataforma - a certa altura, em frente ao banco havia vários colchões, um sofá, mesas e três tendas.

«Não pensamos em sair daqui até que aceitem as nossas condições», disse Paco ao «El Mundo», há 80 dias.

 
Uma promessa que cumpriu, até esta quarta-feira, quando o banco cedeu.

O BBVA baixou a dívida para 10 mil euros, que o casal terá de pagar em 15 anos, e a entidade vai deixar de penhorar os 160 euros da reforma dos pais de Sonia. A dívida não será hereditária, caso o casal não consiga, novamente, pagar a quantia, e o casal sai das listas de devedores.

Agora, felizes com o acordo alcançado o casal só quer «começar do zero», não deixando de agradecer à PAH e às centenas de pessoas que os ajudaram levando comida e bebidas durante esta luta de 94 dias.