O Papa Francisco, numa audiência realizada esta semana, defendeu, em linhas gerais, que uma palmada num filho não faz mal nenhum.

Ou seja, bater num filho não é prejudicial desde «que não afete a sua dignidade», dando como exemplo o caso de um pai que lhe falara que, de vez em quando, batia nos filhos, mas nunca lhe atingia a cara. E, com isso, entende o Papa, não atacava a dignidade das crianças.

«Uma vez, num encontro com casais casados, ouvi um pai dizer que às vezes tem de dar uma palmada nas crianças, mas nunca na cara para não os humilhar», disse o Papa, acrescentando: «Que bonito! Ele sabe o senso da dignidade! Tem de punir as crianças mas fá-lo com dignidade e pronto», escreve a agência AFP. 

Estas declarações do Sumo Pontífice, amigo das crianças, que beija todas aquelas que conseguem chegar ao seu alcance e que até quebrou o protocolo durante a viagem ao Brasil, veio fazer esta declaração que já obrigou a um esclarecimento por parte do Vaticano, explicando que o Papa não incentivava a violência sobre as crianças.

Aliás, a Igreja já tinha sido chamada à atenção por parte das Nações Unidas para que acabasse e colocasse literalmente mão nos castigos físicos levados a cabo nos colégios católicos, como recorda a Associated Press.

Há, pelo menos, 39 países que punem os castigos corporais em crianças, quer na escola, quer em casa. Uma decisão transversal a vários países e de vários continentes. Portugal figura nesta lista desde 2007, de acordo com a «End All Puniochment Agianst Children». A decisão sobre esta questão não é, portanto, unânime se atendermos que um país como os Estados Unidos permitem que os pais batam nos filhos desde que o façam «de forma razoável» e 19 Estados permitem os castigos corporais nas escolas, como refere o «The Guardian». 

O Papa Francisco está a ser criticado por estas declarações. Este comentário não fez ondas em Itália, mas foi fortemente criticado na Alemanha, um dos países onde qualquer forma de punição corporal é proibida.

«Não há maneira de bater nas crianças com dignidade», criticou a ministra da Família, Manuela Schwesig, numa entrevista que será publicada no sábado pelo «Die Welt».