Primeiro tentou um ataque à polícia belga, mas falhou. Uns meses mais tarde, esteve por detrás da tentativa falhada de atentado num comboio TGV que seguia para Paris e a uma igreja nos arredores da capital francesa. Na sexta-feira os seus planos tiveram sucesso, e causaram a morte a 129 pessoas em três bairros de Paris.

O suspeito de todos estes atos é Abdlhamid Abaaoud, um belga de 27 anos identificado por um oficial, ligado à investigação dos atentados de dia 13, como o “mentor” dos ataques. Ex-aluno do prestigiado colégio Saint-Pierre, conta a Associated Press, Abaaoud tornou-se tão focado na guerra santa, que chegou a recrutar o seu irmão de apenas 13 anos.

Abaaoud, de ascendência marroquina, escapou às autoridades europeias em janeiro, e está atualmente na Síria, nas zonas controladas pelo Estado Islâmico, onde até já foi capa da versão escrita em inglês da revista oficial dos jihadistas, a Dabiq.
 
A cara de Abbaaoud também já é conhecida um pouco em todo o mundo.  É este homem que aparece num dos vídeos do Estado Islâmico a conduzir uma carrinha que transporta cadáveres mutilados.

Original de Molennbeek-Saint-Jean, um bairro dos arredores de Bruxelas, é suspeito de ter coordenado, em janeiro, dois jovens de Verviers que planeavam um atentado em solo belga, após os ataques  ao Charlie Hebdo e a um supermercado judaico, em Paris. Na altura, a polícia e os serviços de inteligência conseguiram descobrir  os planos dos jihadistas, que acabaram por ser mortos numa rusga das autoridades.


 
Abdelhamid Abaaoud (Foto: Reprodução Twitter)

Abbaaoud foi considerado suspeito, depois da investigação ter concluido que manteve conversas com os dois jovens, de forma a que prosseguissem com os planos de um ataque. Informações subliminalmente admitidas pelo suspeito num número lançado em fevereiro da revista oficial do EI.
 

Havia outros convosco?
Não. Éramos só os três. Os nossos nomes estão por todo o lado.
(...)
Demorámos meses para conseguirmos entrar na Europa, e conseguimos finalmente chegar à Bélgica, graças a Allah. Conseguimos depois, arranjar armas e uma casa para planear operações contra os [infiéis].”
 
O que aconteceu no dia da batalha com as autoridades belgas?
 
[Os dois homens] estavam juntos na casa secreta e tinham as suas armas e explosivos prontos. Os infiéis entraram no local com 150 homens das forças especiais francesas e belgas. Depois de um tiroteio, que demorou cerca de 10 minutos, os dois irmãos foram abençoados [com a morte], que desejavam há muito tempo. Peço a Allah que os aceite.”

 
Falhado o ataque na Bélgica, Abbaaoud terá planeado também as tentativas falhadas de atentados a uma igreja nos arredores de Paris, e a um comboio TGV que fazia ligação entre Amesterdão e a capital francesa.
 
Esta última tentativa de causar um massacre correu o mundo, por ter sido evitada por três norte-americanos - dois deles militares - que estavam na Europa de férias, e naquele comboio por acaso. Conseguiram imobilizar o homem armado, antes que conseguisse fazer quaisquer mortos. 

Na entrevista dada à revista oficial do EI, o homem conta que foi capaz de permanecer na Bélgica e planear outros ataques na Europa, antes de voltar à Síria, mesmo sendo suspeito de crimes. Abaaoud acrescenta que mesmo com as autoridades a procurá-lo diretamente, e com recurso a foto, conseguiu “escapar”. Sorte, que, para Abbaaoud, só pode ter sido uma intervenção divina.
 

“(...) Consegui fugir, mesmo sendo perseguido por tantos serviços de inteligência. (...) O meu nome e foto estavam sempre nas notícias e ainda assim consegui ficar no país deles, planear operações contra eles e conseguir escapar, quando isso se tornou necessário.
(...)
Até cheguei a ser mandado parar por um polícia que olhou para mim e para uma foto minha, mas deixou-me seguir, não me reconheceu. Isto foi um presente de Allah.”

 
Referindo-se ao ataque falhado de Verviers, especificamente, o jihadista relata que foi “escolhido” para “aterrorizar a coligação de "cruzados" que atacam os muçulmanos do Iraque e da Síria”.

 “Allah escolheu-me para viajar para a Europa e aterrorizar os cruzados que lutam contra os muçulmanos. Como sabem, a Bélgica é membro da coligação que ataca os muçulmanos.”