O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou, esta terça-feira, Portugal pelos seus novos compromissos de acolhimento de refugiados, ao discursar na cimeira que convocou sobre o assunto, em Nova Iorque.

Quero elogiar a Alemanha, o Canadá, a Áustria, os Países Baixos e a Austrália, pela sua liderança continuada, bem como países como a Argentina e Portugal, pelos seus novos compromissos”, disse Obama na cimeira que promoveu em Nova Iorque, à margem da 71.ª Assembleia Geral da ONU.

O ministro-adjunto do primeiro-ministro, Eduardo Cabrita, que tutela as migrações, disse hoje à agência Lusa que Portugal vai duplicar até final do ano o número de refugiados, atualmente em 534.

Cabrita lembrou também que, no âmbito do programa de recolocação de refugiados, Portugal assumiu o compromisso de acolher cinco mil pessoas, tendo o primeiro-ministro já anunciado a disponibilidade de duplicar esse número, pelo que há “uma disponibilidade política de princípio para acolher cerca de 10 mil” pessoas.

Obama recordou que no passado a comunidade internacional falhou no tratamento de outros refugiados, exemplificando com o virar de costas aos judeus que fugiam da Alemanha nazi.

Depois de sublinhar que os refugiados são sintoma de problemas maiores, seja a guerra, as tensões étnicas ou perseguição, Obama agradeceu aos representantes de mais de 50 Estados e organizações pelos compromissos concretos assumidos nesta cimeira convocada pelos EUA.

Esta “crise de proporções épicas”, como a designou, com 65 milhões de pessoas deslocadas, das quais 21 milhões de refugiados, coloca “uma carga muito pesada” em dez países, entre os quais Turquia, Paquistão, Líbano, Irão e Etiópia – “países que têm muito menos recursos do que muitos que estão a fazer pouco ou nada”, criticou.

Jordânia, que está com “um peso enorme”, México, que “está a absorver um grande número de refugiados da América Central”, Suécia, que “tem feito enormes contribuições humanitárias, além de receber refugiados”, Alemanha e Canadá, que “se têm excedido no apoio aos refugiados”, além da Etiópia, que também suporta “uma enorme carga”, receberam igualmente menções particulares.