A estratégia da Rússia na Síria, com o apoio do Presidente Bashar al-Assad, é uma "receita para o desastre". Quem o diz é Presidente dos EUA, Barack Obama, que mesmo criticando a estratégia russa, afirma que os Estados Unidos ainda podem trabalhar com Moscovo para reduzir as tensões no país.

De acordo com a CNN, Barack Obama considera que os bombardeamentos russos na Síria “só fortalecem” o autoproclamado Estado Islâmico, porque Moscovo não estabelece diferenças entre os opositores de Bashar al-Assad e entende que todos “são terroristas”, o que, do seu ponto de vista, é uma “receita para o desastre.”

A abordagem russa está votada ao fracasso e os ataques à "oposição moderada vão ser contraproducentes”, disse Obama, numa conferência de imprensa na Casa Branca, esta sexta-feira à noite – dia 3 dos ataques russos aos grupos que combatem o Presidente Bashar al-Assad.


Barack Obama garantiu que está preparado para trabalhar com a Rússia, e também com o Irão, para encontrar uma solução política para a Síria. Mas, para que isso aconteça, o Presidente russo, Vladimir Putin, deve reconhecer que é preciso “haver uma mudança” de Governo em Damasco. “O problema é Assad e a brutalidade que infligiu ao povo sírio”, sublinhou Obama.

A Rússia, aliada do regime de Bashar al Assad, iniciou esta semana ataques aéreos na Síria. Os alvos do Estado Islâmico começaram a ser atacados na quinta-feira, de acordo com fontes oficiais russas e sírias.

Ativistas e opositores sírios denunciaram que várias bases de grupos rebeldes, como o Exército Livre Sírio e o Exército da Fatah, também foram alvo dos bombardeamentos russos em Idlib e Hama.

A Rússia anunciou esta sexta-feira que realizou 18 ataques aéreos e atingiu 12 alvos do Estado Islâmico desde a noite de quinta-feira nas províncias de Idlib, Hama, Aleppo e Raqqa.

Também esta sexta-feira, os sete membros da coligação contra o Estado Islâmico no Médio Oriente (França, Alemanha, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido e EUA) fizeram um pedido à Rússia para que não ataque a oposição política na Síria e concentre as ações militares contra os jihadistas.


Controlo de armas


Barack Obama também aproveitou a ocasião para afirmar que a falta de iniciativas para estabelecer algum tipo de controlo de armas nos Estados Unidos é uma decisão política que deve ser enfrentada, um dia depois do massacre que provocou pelo menos 13 mortos numa universidade de Oregon.
 

"Vou politizar este assunto porque nossa falta de ação é uma decisão política", afirmou Obama. O Presidente defendeu que a oposição ao controlo de armas "se deve à política porque há grupos que financiam campanhas e alimentam o medo nas pessoas.”


Na quinta-feira, o Presidente já tinha defendido o controlo de armas e criticou aquilo que se tornou “ uma rotina” nos EUA. "Não deveria ser tão fácil para uma pessoa que queira ferir outras pessoas conseguir uma arma", afirmou o Presidente, sem esconder a irritação. "Qualquer pessoa que faça isso tem uma doença mental", disse. "Somos uns dos maiores países que assiste a essas mortes em massa todos os meses”, acrescentou.
 
No discurso, Barack Obama sublinhou que os EUA gastam milhões de dólares para impedir ataques terroristas no país, mas o Congresso impede que se reúnam dados sobre mortes por armas. O chefe de Estado pediu ao Congresso dos EUA que legisle sobre o controlo de armas.