Todas as tragédias tem rosto e nomes. No voo MH17 seguiam 298 pessoas a bordo e se para a maioria são anónimas, para alguns poucos são a família que já não existe.

São 14 segundos, os últimos segundos que mostram os passageiros a guardar as malas, antes de se sentarem e apertarem o cinto para descolagem. O vídeo que surgiu nas redes sociais terá sido feito por um passageiro malaco, denominado pela imprensa como Md Ali Md Salim. As imagens foram divulgadas na sua conta do Instagram. No pequeno filme é possível ouvir-se o autor dizer em voz baixa:«Em nome de Deus... estou um pouco nervoso».

Md Ali Md Salim era estudante de psicologia de Erasmus na Universidade de Roterdão. Vinha a casa celebrar o feriado religioso de Hari Raya, escreve o «The Stars».



«O que fazer?»

Tambi Jiee, de 49 anos de idade, a sua mulher, Ariza Ghazalee, de 47 e os quatro filhos do casal, com idades compreendidas entre os 13 e os 19 anos, seguiam a bordo do Boeing 777 da Malaysia Airlines. Eram oriundos da cidade de Kuching, capital do Estado de Sarawak, na Malásia Oriental. Regressavam do Cazaquistão, onde Tambi trabalhou, para a Shell, nos últimos três anos.

Só o filho mais velho estava a viver em Kuala Lumpur, o resto da familia estava com o pai no Cazaquistão e esta era a viagem de regresso, sem data marcada. Iam regressar a casa de vez.

Jamillah Noriah Abg Anuar, com 72 anos de idade, mãe de Ariza foi acordada, de noite, pelos seus outros filhos. «Quando me contaram... chorei. O que posso fazer?», disse ao «The Star». Tinha falado com eles horas antes, quando ainda estavam em Amesterdão.

Datin Siti Dina chegou ao aeroporto de Kuala Lumpur muito ansiosa. A sua filha e os três netos, com 8, 12 e 15 anos, estavam a bordo do MH17. Foi um amigo que lhe ligou a dar a notícia. Regressavam de umas férias em Amesterdão e iam fazer escala antes de seguirem para Melbourne, na Austrália.

Em lágrimas, na zona onde estão a ser recebidos os familiares das vítimas, conta aos jornalistas que depois do choque inicial, procurou a ajuda das autoridades competentes antes de decidir o que iria fazer, escreve o «The Star.

Troca fatal com colega

Sanjid Singh, um comissário de bordo com 40 anos, não estava escalado para o voo MH17, mas fez uma troca com um colega e acabou por morrer na tragédia, escreve o jornal «The Malaysian Insider», que cita o pai deste membro da tripulação, Jijar Singh. Curiosamente, a sua mulher, também assistente de bordo da Malaysia Airlines, sobreviveu ao fatídico voo MH370, em março passado. Ela aceitou uma troca com uma colega e sobreviveu a essa primeira tragédia. Casal vivia em Kuala Lumpur e tinha um filho de sete anos.

Uma família de Queensland, na Austrália, foi atingida pelas duas tragédias da Malaysia Airlines neste ano: o voo MH370, que desapareceu no mar, e o voo MH17, que foi atingido por um míssil terra-ar.

Mas também houve quem pela sorte ou pelo destino tenha sobrevivido a esta tragédia. Barry, Izzy e o seu filho bebé podem agradecer o facto de estarem vivos. Este casal devia ter embarcado no avião que foi abatido na Ucrânia, mas foi colocado à última da hora noutro voo.