A primeira análise feita às caixas negras do avião comercial russo que se despenhou no Egito, no sábado, com 224 pessoas a bordo, revela que o aparelho não foi atingido do exterior e que o piloto não fez nenhum pedido de socorro, segundo uma fonte da equipa de investigação citada pela Reuters, sem adiantar mais detalhes, ou seja, não invalidando o ato terrorista.


Acidente, bomba ou sabotagem?


Esta informação vem completar as declarações do oficial do Comité Governamental da Aviação da Rússia, Viktor Sorochenko, que visitou o local onde o avião russo se despenhou, e disse que os primeiros indícios apontam para que a aeronave se tivesse partido “no ar”

O presidente russo, Vladimir Putin, apareceu pela primeira vez em público depois do acidente, para prestar as condolências às famílias pela "enorme tragédia", segundo a AP. Em declarações a uma televisão russa, esta segunda-feira, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, preferiu aguardar por conclusões palpáveis da investigação: “A tarefa mais importante agora é investigar aprofundadamente as causas desta tragédia”, cita a Reuters. Mas, fonte do Kremlin, ouvida pela mesma agência, disse que nenhuma hipótese, incluindo um ato de terrorismo, pode ser descartada. As autoridades britânicas, americanas e alemãs fizeram avisos à navegação aérea para não voar abaixo dos 26 mil pés na província do Sinai, devido ao perigo de ataques de extremistas. 

O ministro da Emergência russo acrescentou que as caixas negras estão em bom estado, pelo que muitas das perguntas terão certamente resposta nos próximos meses.

O presidente egípcio tinha afastado, no fim de semana, a hipótese do avião ter sido atingido do exterior, retirando força à reivindicação do autoproclamado Estado Islâmico, que declarou a autoria do desastre aéreo. 

Entretanto, o diretor da companhia Kogalymavia, Alexander Smirnov, afirmou que o que levou à desintegração no ar do aparelho e queda só pode ter sido provocado por uma “ação física ou técnica” que nada tem a ver com as condições do aparelho ou erro do piloto, ou seja, por “influência externa”. Alexander Smirnov garantiu que os motores do avião tinham sido alvo de manutenção no dia 26 de outubro e que nas cinco viagens anteriores realizadas pelo aparelho, a tripulação não relatou qualquer falha. Esta informação é corroborada pela dona do avião, uma empresa irlandesa, que alugou o aparelho à Metrojet.

Dentro da própria companhia aérea comercial russa, as informações são, todavia, contraditórias, já que um outro responsável pela Kogalymavia, Viktor Yung, afirmou, de acordo com a Associated Press, que o piloto avisou as autoridades de tráfego aéreo russo, de que precisava de fazer uma aterragem de emergência. 

A agência noticiosa russa RIA noticiou também, esta segunda-feira, que a Kogalymavia devia dois meses de salários aos funcionários. A informação foi confirmada à RIA por um inspetor do trabalho russo. 

Numa Rússia de luto, chegou, esta segunda-feira, a São Petersburgo, um avião com os restos mortais de alguns dos 244 pessageiros que morreram no Egito. De acordo com o Comité de Investigação, que a AP cita, chegaram 130 corpos e restos parciais de outros 40 passageiros. O avião do Ministério de Emergência russo é o primeiro a trazer de volta à Rússia os corpos dos que morreram quando o voo 9268 da transportadora aérea russa MetroJet (Kogalimavia) caiu na província do Sinai, no Egito.

O avião da MetroJet, que tinha como destino São Petersburgo, caiu a sul da cidade egípcia de Al-Arish, capital da província do Norte Sinai, pouco depois de levantar voo de Sharm el-Sheik, com 224 pessoas a bordo, na maioria russos. 

No Egito ficaram as equipas de investigação que anunciaram esta segunda-feira já ter percorrido e recolhido todos os destroços do avião que estavam espalhados por 20 quilómetros quadrados, uma tarefa que ainda não está terminada.