Uma organização da Arábia Saudita publicou no Twitter uma montagem que gerou grande polémica por sugerir o ataque do 11 de setembro nos Estados Unidos, mas contra o Canadá. A imagem mostrava um avião da companhia Air Canada voar em direção à Torre Nacional do Canadá, em Toronto.

A referência a uma situação semelhante à que aconteceu nos Estados Unidos a 11 de setembro com a suposta relação aos ataques às Torres Gémeas do World Trade Center, nos quais morreram quase três mil pessoas, gerou grande ruído nas redes sociais. Recorde-se que, em 2001, nesses aviões estavam 19 sequestradores, 15 dos quais eram cidadãos sauditas.

A imagem foi montada pela infográfica KSA, que é a favor do governo saudita, cuja conta na rede social foi entretanto eliminada. Uma conta que tinha entre os mais de 350 mil seguidores várias figuras diplomáticas.

A publicação surgiu na segunda-feira, a meio de uma crise diplomática entre ambos os países. Aconteceu horas depois de Justin Trudeau ter pedido a libertação de mulheres sauditas ativistas dos direitos humanos, um pedido que Riade, a capital da Arábia, considerou uma intromissão em assuntos internos. Por isso, decidiu suspender o comércio e os investimentos com Otava, capital canadiana, deu ao embaixador canadiano 24 horas para sair do país e chamou o representante saudita no Canadá de volta ao país.

Na publicação podia ler-se que “aquele que interfere com o que não lhe diz respeito, encontra o que não lhe agrada” e ainda a mensagem “Meter o nariz onde não é chamado!”, numa referência à causa da querela entre os dois países.

A publicação foi retweetada várias vezes antes da KSA ter eliminado a conta e antes de ter pedido desculpa publicamente.

A aeronave pretendia simbolizar o regresso do embaixador. Percebemos que isso não estava claro e qualquer outro significado não foi intencional".

Foi então que o Ministério saudita dos Meios de Comunicação Social informou que a conta da infográfica KSA foi eliminada no Twitter devido a uma investigação causada por uma queixa.

Analistas descreveram as atitudes da Arábia Saudita como uma mensagem complexa para o mundo e um esforço para limitar as reformas introduzidas pelo príncipe herdeiro de 32 anos, Mohammed bin Salman.

Na segunda-feira, a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, declarou que o governo não irá recuar.

O Canadá está muito confortável com a posição assumida. Vamos manifestar-nos sempre pelos direitos humanos, vamos sempre manifestar-nos pelos direitos das mulheres e isso não vai mudar", palavras de Chrystia Freeland citada pelo The Guardian.

A disputa intensificou-se na quarta-feira, quando a Agência Saudita de Imprensa informou que o país tinha suspendido todos os tratamentos de pacientes em hospitais no Canadá e que seriam todos transferidos para outros países. O Ministério da Educação da Arábia ordenou a retirada dos milhares de estudantes sauditas das escolas no Canadá. Já a companhia aérea do estado saudita suspendeu todos os voos de e para Toronto.