O homem que fez mais de dez reféns num café no centro de Sidney, na Austrália, já foi identificado pela polícia. Man Maron Monis já é conhecido pelas autoridades australianas pelo envio de cartas ofensivas a família de soldados australianos mortos.
 
Além desse crime, o homem foi acusado, em 2013, de ser cúmplice no homicídio da ex-mulher e, recentemente, foi alvo de 50 acusações de agressão sexual relativas ao período que alegou ser um «curandeiro espiritual», que lidava com magia negra numa loja na zona ocidental de Sidney.
 
Monis, que também é conhecido pelos nomes de Sheikh Haron e Mohammad Hassan Manteghi, nasceu no Irão e, de momento, está a viver no sul de Sydney. «Costumava ser Rafidi, mas já não. Agora sou islâmico, Alhamdu Lillah», afirmou no seu site, em novembro.
 
Mas foi a condenação de Monis, por enviar as cartas para as famílias dos soldados australianos mortos entre 2007 e 2009, que terá despoletado o sequestro de segunda-feira. Entende-se que tal se deve ao facto de a última tentativa de recurso no Supremo Tribunal, na sexta-feira, ter falhado.
 
Monis terá de prestar 300 horas de serviço comunitário e cumprir dois anos de bom comportamento, pelas «cartas ofensivas e deploráveis» enviadas com o auxílio da namorada, Amirah Droudis. Monis alega que as cartas eram a sua versão de um ramo de flores ou de um cartão de condolências.
 
«Sentámo-nos para ler as cartas que seriam para nos apoiar, mas em vez disso o homem acusava o meu marido de ser um assassino de crianças e a dizer como devia criar os meus filhos. Foi assustador», afirmou a viúva de um sargento morto em 2009.
 
Monis contestou sobre a validade das acusações, argumentando que eram meramente políticas e que apenas queria persuadir as famílias a oporem-se ao envolvimento australiano militar no Afeganistão. Mas quando perdeu e foi a tribunal ser julgado, em agosto de 2013, declarou-se culpado das 12 acusações.
 
No entanto, os seus problemas com a lei não ficam por aí. Monis está atualmente em liberdade condicional em relação aos dois casos graves distintos do homicídio da ex-mulher e das 50 acusações de crimes sexuais.
 

«Como o governo australiano não tolera a atividade de Sheikh Haron, está a tentar prejudicar a sua imagem com essas falsas acusações. Também está a colocar pressão para ele parar a sua atividade e mantê-lo em silêncio, mas se Deus quiser Man Haron Monis não vai parar a atividade política contra a opressão», escreveu Monis numa descrição de si mesmo no site, sheikhharon.com, encerrado esta segunda-feira.