O ativista Osvaldo Caholo, condenado a quatro anos e seis meses de prisão, denunciou as condições precárias da prisão de Calomboloca numa carta enviada ao jornal Rede Angola, e anunciou o seu suicídio para os “próximos dias”.

“Término à vida” é o título da missiva, escrita a 31 de maço, onde o ativista denuncia abusos aos “direitos fundamentais dos cidadãos”. Osvaldo Caholo foi o único ativista com carreira militar condenado a 28 de março.

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O seu processo foi remetido para o Supremo Tribunal Militar que o acusava de “extravio de documentos e divulgação de informação militar secreta”, escreve o jornal angolano. Caholo acabou por ouvir a sentença com os restantes 16 ativistas julgados por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e associação criminosa.

Falta de água para lavar a boca, tomar banho e pôr na sanita; as necessidades são feitas em sacos de plástico e a água para consumo é adquirida das sanitas”, escreve o ativista.

Osvaldo Caholo carece de cuidados de saúde por problemas de estômago e também revela ter amigdalite, mas a assistência não lhe é prestada. “Como é possível viver sem água…”, questiona.

Os colchões nem para animais devem servir”, sublinha o recluso referindo ainda a falta de atividades dentro do estabelecimento prisional, dificuldade em adormecer e um “clima antissocial provocado propositadamente”.

Segundo a carta do ativista, não há pequeno-almoço na cadeia e a primeira refeição do dia é servida por volta do meio-dia e a última até às 22:00.

Também os livros, que de certa forma estiveram na base dos crimes pelos quais foram sentenciados os 17 ativistas, “são impedidos de entrar, o que demonstra o quanto mais se quer o antissocialismo e analfabetismo”, questão que compara com os países desenvolvidos onde “há bibliotecas prisionais”.

Ninguém mas ninguém mesmo neste mundo gosta e aceitaria ver o seu filho, irmão… ser condenado de forma injusta e abusiva dos direitos fundamentais dos cidadãos”, escreve o recluso antes do aviso sobre a sua intenção de pôr termo à vida.

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Em protesto contra as condições da prisão de Calomboloca, Osvaldo Caholo está em greve de fome desde que entrou naquele estabelecimento prisional.

Nos próximos dias vou pôr termo à minha vida, em nome da fraqueza e o respeito pela dignidade humana”, conclui.