As agências de segurança europeias procuram pelo menos oito suspeitos de envolvimento nos ataques de Paris e de Bruxelas com ligações ao Estado Islâmico. As identidades destes presumíveis terroristas constam num documento que, segundo avança a CNN, circulou entre as forças de segurança europeias no dia 23 de março, logo após os ataques de Bruxelas, que provocaram pelo menos 35 mortos.

À exceção de um indivíduo, todos os suspeitos estarão ligados a Abdelhamid Abaaoud, o cérebro dos ataques de Paris em novembro do ano passado, ou a Salah Abdelsam, outro dos autores dos ataques na capital francesa, que foi detido na Bélgica a 18 de março.

O documento de 11 páginas dá ainda uma ideia da influência geográfica do Estado Islâmico na Europa. E segundo a CNN, refere que três dos suspeitos residiram ou estiveram na Holanda, na Alemanha e na Suécia, respetivamente.

Naim al Hamed e Yoni Patric Mayne são dois dos alegados jihadistas que estarão em fuga.

No caso de Naim al Hamed, as forças de segurança acreditam que o suspeito esteve envolvido nos ataques de 22 de março em Bruxelas. O nome consta nos documentos que o suspeito trouxe da Síria, mas as autoridades não acreditam que seja verdadeiro.

Os investigadores pensam que “Hamed” e outro indivíduo que também terá usado uma identidade falsa, Monir Ahmed Alaaj, viajaram da Síria para a Europa, mais concretamente para a Alemanha, em setembro do ano passado. Semanas mais tarde, terão sido levados para a Bélgica por Salah Abdeslam.

Já Yoni Patric Mayne, um belga que terá trabalhado numa loja de vídeo em Bruxelas, está no radar dos serviços secretos desde 2014, ano em que terá ido com Abdelhamid Abaaoud para a Síria. Num relatório da polícia francesa, a 20 de janeiro desse ano, Mayne esteve num voo de Colónia para Istambul com Abaooud e o irmão de 13 anos de Abaaoud.

A rede do Estado Islâmico na Europa

Mayne e Abaooud integravam uma rede de recrutamento do Estado Islâmico na Europa.

De acordo com o analista belga Pieter Van Ostaeyen, citado pela CNN, Mayne viajou pela primeira vez para a Síria em abril de 2013. Terá regressado à Europa e chegou a ser detido na Bélgica, mas por pouco tempo.

Em 2014, combatentes do Estado Islâmico em Raqqa partilharam uma imagem que dava conta da sua morte. Todavia, os serviços secretos do Ocidente acreditam que a sua morte foi fingida.

Abaadou é tido como cérebro e líder dos atentados de Paris, que provocaram 130 mortos em novembro do ano passado. 

As agências de segurança europeias pensam que Abaaoud esteve no centro de uma rede de conspirações do Estado Islâmico na Europa. Em junho de 2015, Nicholas Moreau, um francês suspeito de se ter juntado ao Estado Islâmico, afirmou, durante um interrogatório, que Abaaoud tinha como missão recrutar indivíduos para planearem e executarem ataques jihadistas na Europa.

A teia de ligações do Estado Islâmico na Europa envolve o fabrico de bombas, armas pesadas e o estabelecimento de comunicações entre os suspeitos através de softwares que permitem encriptar as mensagens.