Uma investigação da CNN concluiu que a rede do Estado Islâmico responsável pelos atentados no Ocidente tinha preparado ataques ainda mais sangrentos em Paris, com mais terroristas e outros alvos para além dos que foram atingidos, bem como outras ações em países europeus. A estação de televisão norte-americana teve acesso a centenas de documentos dos serviços secretos europeus e falou com fontes oficiais ligadas à investigação dos ataques na capital francesa.

Os serviços secretos europeus acreditam que os ataques de Paris, em novembro de 2015, que fizeram mais de 100 mortos e centenas de feridos, constituíam apenas uma parte de um plano mais ambicioso do Estado Islâmico para atacar a Europa.  

Fonte oficial das autoridades europeias confirmou isto mesmo à CNN, acrescentando que o plano inicial dos rebeldes passava por atacar outros locais em França e ainda na Holanda.

Os documentos obtidos pela televisão norte-americana revelam outros dados: as autoridades europeias detiveram em dezembro dois homens com ligações aos atentados de Paris e um outro suspeito que esteve vários meses a monte e que apenas foi detido em julho.

O argelino Adel Haddadi e o paquistanês Muhammad Usman partiram de Raqqa, na Síria, seis semanas antes dos ataques de Paris e faziam parte da célula terrorista que incluía os bombistas suicidas que se fizeram explodir junto ao Stade de France, Ahmad al-Mohammad e Mohamad al-Mahmod.

Os quatro homens não sabiam qual era o objetivo da missão, apenas que iriam “fazer algo em nome de Deus”. A viagem foi coordenada por um líder do Estado Islâmico na Síria e as indicações não eram dadas todas de uma vez, mas por etapas.

Estes dois suspeitos foram intercetados pelas autoridades gregas por terem passaportes sírios falsos e estiveram um mês retidos na Grécia. Ora, tudo indica que terá sido por causa disso que acabaram pro não participar nos ataques em Paris.

Mas os dois homens foram libertados e continuaram a sua viagem pela Europa. Só foram detidos em Salzburgo, na Áustria, em dezembro.

As informações apontam ainda para a existência de um outro suspeito ligado aos ataques de Paris. Este homem que esteve a monte vários meses após o ataque foi identificado como Abid Tabaouni. Também viajou da Síria até à Europa e apenas foi detido em julho.

Após os atentados de Paris, a ameaça terrorista colocou a Europa em alerta. De acordo com a mesma fonte oficial que a CNN contactou, as secretas foram descobrindo vários jihadistas do Estado Islâmico que já estavam infiltrados na Europa.

Há uma razão para a rede do grupo terrorista se ter expandido em solo europeu sem ter sido detetada: as plataformas que permitem a troca de mensagens encriptadas.

A sofisticada rede do Estado Islâmico na Europa recorre a serviços como o Telegram ou o Viber, que permitem comunicações encriptadas que não comprometem os seus operacionais, como explicou o especialista em terrorismo Paul Cruickshank.

“Os grupos de mensagens encriptadas poderão revolucionar o planeamento de ataques terroristas ao permitirem que várias células se coordenem em tempo real sem se comprometerem”, afirmou.