Samy Amimour, 28 anos, natural dos arredores de Paris, foi motorista de autocarro durante 15 meses em Paris, parou em 2012. No ano seguinte partiu para a Síria, de onde só voltou para participar no maior massacre que a França viu nas últimas décadas.

Conhecido da justiça antiterrorista desde 2012, acusado de associação criminosa no âmbito de um ataque abortado a partir do Iémen, ficou sob controlo judicial nessa altura. Em setembro de 2013 foi para a Síria, tendo avisado os pais apenas quando já estava no seu destino. O franco-argelino disse-lhes que não o procurassem, porém o seu pai, Mohamed não lhe deu ouvidos.

Esta história tinha sido contada pelo jornal Le Monde em dezembro do ano passado: falava de um pai que foi à Síria tentar trazer o filho de volta à França. Já nessa altura, Mohamed contou ao jornal francês que quando viu o seu filho pela última vez, viu nele um soldado do Estado Islâmico. Ainda assim, não poderia antever que o seu rosto acabaria espalhado pelo mundo, como o terrorista que se fez explodir na sala de espetáculos Bataclan.

Já com Samy na Síria, Mohamed Amimour, 67 anos, tentava demover o seu filho do radicalismo islâmico cada vez que falavam por Skype, porém nunca lhe disse que planeava ir buscá-lo. Em junho de 2014, partiu. Só avisou o filho quando já estava na fronteira da Turquia, a qual acabaria por atravessar em direção a Minbej, a 80 quilómetros de Alepo.

O pai de Samy viajou numa carrinha com homens, mulheres e crianças de diferentes nacionalidades. À chegada a Minbej, foram recebidos por jihadistas que separaram as famílias dos homens,e que lhes retiraram os passaportes.

“No primeiro checkpoint estava um homem com uma kalashnikov. Os meus companheiros de viagem aplaudiram [quando viram as bandeiras do EI]. O meu passaporte foi levado. Os novos recrutas foram saudados por uma multidão de barbudos que gritavam ‘Allahu Akbar’”.


Mohamed chegou à Síria no dia em que Abu Bakr al-Baghdadi declarou a fundação do califado, a 29 de junho, e só no dia seguinte se reencontraria com o seu filho, que acabava de chegar de Raqqa.

De muletas, Samy tinha um “sorriso distante”, contou Mohamed ao Le Monde. Não anteviu o poder de persuasão do Estado Islâmico.

“Veio acompanhado por outro homem que nunca nos deixou sozinho. A nossa reunião foi muito fria. Não me convidou para o seu alojamento, não me contou porque estava ferido, nem se tinha combatido.”


Mohamed entregou uma carta escrita pela mãe de Samy, com 100 € lá dentro. O homem afastou-se para a ler, e quando regressou devolveu o dinheiro ao pai. Fez questão de lhe dizer que não precisava do dinheiro.

Para tentar entender o que se passava com o filho, o homem de 67 anos falou com outros jihadistas que lhe mostraram “imagens horríveis” de outros terroristas a serem torturados por forças de Bashar al-Assad, e outros deles mesmos a executar outros homens.

“Um dos colegas do meu filho mostrou-me um vídeo onde matavam homens à queima-roupa. Vi imagens horríveis. Fiquei repugnado.”


Apercebeu-se que não o conseguiria levar consigo de volta para a França, e dois dias depois Mohamed atravessou novamente a fronteira com a Turquia. A partir de Istambul voltou para casa.

O filho, que entretanto mudou o nome para Abu Hajia, só voltaria em outubro deste ano, sem avisar, e com um plano em mente: ser um dos protagonistas do massacre do Bataclan.